"Não Tenha Medo do Escuro" explora suspense ao limite

Produção de Guillermo del Toro segue a fórmula de seus filmes anteriores, como o protagonista infantil e as construções góticas

Reuters |

Nas mãos do mexicano Guillermo del Toro, construções góticas, labirintos e recintos escuros despertam, ao mesmo tempo, medo e curiosidade. Vistos pelos olhos de uma criança, essa mistura pode se transformar num convite para entrar em locais em que a luz não penetra e onde podem estar escondidos os piores pesadelos, como na estreia "Não Tenha Medo do Escuro."

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Guy Pearce, Bailee Madison e Katie Holmes no suspense sobrenatural "Não Tenha Medo do Escuro"
O filme merece ser visto não apenas por quem gosta de histórias sinistras, mas também por aqueles que se deixam prender pelos climas de um suspense imprevisível.

Aqui, Guillermo é apenas produtor e roteirista, cabendo ao diretor Troy Nixey dar a forma final ao conto de fadas gótico. Mas as mãos de ambos acabam se confundindo e o estilo do diretor e produtor mexicano paira onipresente ao longo dos quase 100 minutos da produção. Isso já começa no fato de a história ter em seu centro uma criança, como aconteceu em filmes anteriores de Del Toro, "A Espinha do Diabo" (2001) e "O Labirinto do Fauno" (vencedor de três estatuetas do Oscar em 2007).

O título (tradução literal do nome original) é uma armadilha que vai atrair a curiosidade de Sally (Bailee Madison), uma menina que se muda para um casarão comprado pelo pai (Guy Pearce) e que está sendo restaurado por ele e por sua nova namorada, Kim ( Katie Holmes ), ambos arquitetos. A casa foi habitada no passado por um pintor e seu filho, desaparecidos misteriosamente. As cenas iniciais dão as primeiras pistas de que os porões escondem algum segredo.

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A criança, que veio a contragosto, não se mostra disposta a dar uma oportunidade a Kim, em quem vê uma rival da mãe, que ficou em outra cidade e parece não estar em condições de criá-la ou então de não querer mais a tarefa. A tentativa de fuga da realidade leva a menina a procurar desvendar cada canto misterioso da casa, como se procurasse um refúgio.

Ao descobrir o porão, ela não tarda a encontrar uma passagem estreita, fechada com grades de ferro, de onde parece ouvir vozes que chamam seu nome. A curiosidade supera o medo e é o que basta para ela decidir abrir a grade e descobrir de quem são as vozes que a chamam para brincar.

Mas agora é o medo que prevalece, pois Sally descobre que libertou seres perigosos. Ela tenta alertar o pai, que não dá importância. Ele acredita que ela pode estar com algum distúrbio psicológico por causa do afastamento da mãe e da mudança repentina para a casa no interior.

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Ao contrário de filmes de horror atuais, o diretor evita ser explícito e explora o suspense ao limite, colocando sempre o foco em Sally, em perigo constante, mas que não consegue ser ouvida pelos adultos. Como se estivesse sozinha no mundo, ela precisa se proteger com os poucos recursos de que dispõe. E, até mais da metade do filme, pouco sabemos do real perigo que a espreita.

O medo de Sally contagia quem a acompanha do lado de cá da tela e torce para que nada de mal lhe aconteça. É um conto de fadas, mas o final pode não ser feliz.

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