Não é um filme sobre futebol", afirma diretor de "Heleno

José Henrique Fonseca e a atriz Alinne Moraes falam sobre a cinebiografia da lenda do Botafogo

Marco Tomazzoni, iG São Paulo |

Herói do Botafogo na década de 1940, Heleno de Freitas morreu jovem, aos 39 anos. Como todas as estrelas que se vão cedo, virou lenda. Mas o atacante era bem mais complexo do que um simples garoto-problema. Explosivo, violento, festeiro, drogado, genial com a bola nos pés, virou tema de filme, embora "Heleno", em cartaz no país desde sexta-feira (30) com Rodrigo Santoro no papel-título, seja bem diferente dos dramas esportivos tradicionais.

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O diretor José Henrique Fonseca e Rodrigo Santoro nas filmagens de 'Heleno'

"Não é um filme sobre futebol, mesmo que o futebol ronde o filme o tempo todo", explicou o diretor José Henrique Fonseca durante conversa com a imprensa em São Paulo. "Sempre me interessei sobre personagens no limite."

Pelo menos foi assim em seus dois trabalhos mais conhecidos, "O Homem do Ano" (2003), com Murilo Benício e Cláudia Abreu (casada com o cineasta), e a série "Mandrake", baseada nos contos do pai, Rubem Fonseca.

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Rodrigo Santoro em 'Heleno'
Desta vez, o que estimulou José Henrique não foi nenhum parentesco, mas as histórias que ouvia sobre o jogador, em especial de jornalistas da velha guarda, como Ivan Lessa e Armando Nogueira. Eram na mesma linha do comentário que Santoro ouviu do avô, de 95 anos, quando lhe contou que faria o filme: "Esse rapaz gostava de confusão, mas jogava muita bola".

Causos não faltam, de brigas nos gramados a noitadas com mulheres em cassinos, mas o que se tem de fato é o ego inflado de Heleno, registrado em entrevistas nos jornais, a trajetória vitoriosa no Botafogo, a transferência milionária para o Boca Juniors em 1948 e, a partir daí, performances menos inspiradas até sua despedida melancólica no América (RJ), em 1953, seis anos antes de sua morte, num sanatório de Barbacena, louco e maltratado pela sífilis.

"Se fosse americano, já teriam feito muitos filmes sobre ele", afirmou o produtor Rodrigo Teixeira, da RT Features. "Jake LaMotta não era um grande boxeador e ainda assim inspirou 'Touro Indomável'", acrescentou, se referindo ao clássico dirigido por Martin Scorsese em 1980 e, ao mesmo tempo, afastando comparações com o filme, também filmado em preto-e-branco.

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Sobre a opção por não filmar em cores, Fonseca admitiu se tratar de uma escolha mais pessoal do que artística. "Era a cor perfeita para esse filme. As cores são realidade, enquanto o preto-e-branco é fantasia, um fetiche que tenho desde que era estudante, cresci vendo filmes assim."

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Alinne Moraes e Rodrigo Santoro em 'Heleno'

O diretor trabalhou cinco anos no roteiro, junto com Eduardo Valente e o argentino Fernando Castets ("O Filho da Noiva"). Foi quase tanto tempo quanto para tirar o filme do papel que sempre esbarrava no orçamento polpudo – afinal de contas, trata-se de uma história de época. O projeto só deslanchou com a entrada do "santo" Eike Batista, botafoguense notório, que bancou metade dos R$ 8,5 milhões da produção.

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A partir daí, foram 11 semanas de filmagem no Rio (o Uruguai chegou a ser cotado como possível locação), interrompidas por 40 dias para que Santoro perdesse 12 quilos, transformação necessária para interpretar a fase final da vida de Heleno.

Escalada como a mulher do jogador, Alinne Moraes ("O Homem do Futuro") contou ter levado um susto ao encontrar Rodrigo no retorno às gravações. "Paramos por aqueles dias e quando cheguei no set, ele já estava filmando outras coisas, tanto que nem cumprimentei ele como Rodrigo, já era outra pessoa. Estava tão no personagem, doente, visualmente falando, que não precisei de mais nada para me preparar. Comovia qualquer um que estava ali. É muito bonito ver uma entrega assim."

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