Música, mulheres e 11 de Setembro dominam Festival de Toronto

Maior evento do gênero da América do Norte começa nesta quinta com documentário sobre a banda U2

AFP |

O Festival de Cinema de Toronto, o maior do gênero da América do Norte, começa nesta quinta-feira (8 de setembro) na cidade canadense com o foco nos documentários musicais, no número cada vez maior de cineastas mulheres, na imigração ilegal e nos atentados de 11 de setembro de 2001 .

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Filmagem de 'From the Sky Down', documentário sobre o U2

"É um bom ano para os documentários musicais, e há alguns filmes muito provocativos dirigidos por mulheres", afirmou um dos diretores do festival, Cameron Bailey.

Bailey destacou a resposta notável dos cineastas à crise da imigração. "Assistimos documentários sobre o tema no passado, mas neste ano vemos vários diretores de ficção que tratam do tema das pessoas que batem às portas da Europa, e como a Europa está respondendo a isso."

O Festival de Cinema de Toronto, que terá como filme de abertura um documentário pela primeira vez, prosseguirá até 18 de setembro. No total, 268 longas-metragens e 68 curtas-metragens de 59 países, incluindo 123 estreias mundiais, serão exibidos.

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Antonio Banderas e Elena Anaya em 'A Pele que Habito'
O evento é apontado tradicionalmente por estúdios e distribuidores como um evento chave para o Oscar. Neste ano, o tapete vermelho deve contar com as presenças de Brad Pitt, Clive Owen, Freida Pinto, Glenn Close, Rachel Weisz, Salma Hayek e Viggo Mortensen. Também são esperados Woody Harrelson ("Rampart"), Matthew McConaughey ( "Killer Joe" ), Juliette Binoche ("Elles") e Michael Fassbender ( "A Dangerous Method" ).

O filme de abertura da mostra, "From the Sky Down", conta a história do grupo irlandês U2 e foi dirigido por Davis Guggenheim, vencedor de um Oscar por "Uma Verdade Inconveniente", o documentário sobre a mudança climático com o ex-vice-presidente americano Al Gore. Além do U2, Pearl Jam e Neil Young, também temas de novos documentários, marcarão presença em Toronto.

No domingo, um curta-metragem de quatro minutos marcará o 10º aniversário dos atentados de 11 de Setembro. "O 11/9 aconteceu durante nosso festival há 10 anos e foi terrível e sombrio para muitas pessoas, especialmente para os americanos que ficaram devastados aqui", disse Bailey.

O festival também exibirá os novos filmes de William Friedkin ( "Killer Joe" ) e Francis Ford Coppola ( "Twixt" ) e servirá para a estreia americana dos mais recentes de Pedro Almodóvar ( "A Pele que Habito" ), George Clooney ( "Tudo pelo Poder" ), Madonna ( "W.E." ), do polêmico diretor dinamarquês Lars von Trier ( "Melancolia" ) e do brasileiro Fernando Meirelles ("360") .

O impressionante interesse pelo filme de Clooney, ambientado em uma primária presidencial, provocou a divulgação de que os ingressos para o festival estavam esgotados, o que segundo os organizadores não é verdade.

Mulheres

Entre as diretoras, o festival destaca a "adaptação revisionista" de Andrea Arnold do romance clássico de Emily Bronte, "O Morro dos Ventos Uivantes" . Também serão exibidos os filmes de Chantal Akerman "Almayer's Folly", baseado no romance de Joseph Conrad, e o filme de Agnieszka Holland "In Darkness", sobre judeus que se escondiam nos esgotos da Polônia durante a Segunda Guerra Mundial, para escapar da deportação a campos de extermínio.

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Cena do filme 'Sleeping Beauty', de Julia Leigh

Outros filmes dirigidos por mulheres são "Sleeping Beauty" , de Julia Leigh, e "Friends with Kids", de Jennifer Westfeld. Bailey admitiu que ainda é difícil para as mulheres dirigir filmes, apesar do sucesso de Kathryn Bigelow, que se tornou a primeira diretora a ganhar o Oscar, em 2010, por "Guerra ao Terror", que havia sido exibido em 2008 em Toronto.

"Uma das lutas que as diretoras enfrentam é que são percebidas apenas como capazes de contar somente certos tipos de histórias - histórias brandas sobre as mulheres ou sobre emoções. Kathryn provou o contrário, mas continua existindo uma barreira para muitas mulheres", disse Bailey.

"O êxito de Kathryn é interessante porque ganhou um Oscar por um filme que não tinha nenhuma mulher", afirmou Bailey, que destacou que o trailer de "Hysteria", longa de Tanya Wexler sobre a invenção do vibrador eletromecânico, foi o mais baixado no site do festival.

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Vários filmes europeus abordam o tema da imigração ilegal e da integração: "The Invader", "Hotel Swooni", "The Cardboard Village", "Terraferma" e "Color of the Ocean".

E para ampliar a oferta de obras da África e do Oriente Médio, o festival contratou um programador de Beirute. "Não houve um interesse imediato nas perspectivas a partir do mundo árabe depois de 11/9. A primeira resposta foi o medo e a paranoia. Isso aconteceu na arte feita no período imediatamente posterior em todo o Ocidente. Recentemente começamos a ver com curiosidade e maior compromisso as vozes do mundo árabe", explicou ele.

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