Exposição traz evolução do personagem Carlitos e fotos de bastidores de filmes do artista

Charles Chaplin como Carlitos em 1916
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Charles Chaplin como Carlitos em 1916
Um típico trapaceiro, rabugento, antipático, malandro ao extremo, que não hesitava em dar em cima da mulher do próximo, que adorava dar pontapés e aplicar truques diversos nos mais distraídos. Assim era Carlitos, o célebre personagem criado por Charles Chaplin que superou seu próprio criador e adquiriu vida própria. Tão própria que foi até capaz de evoluir, mudar de personalidade e se tornar o solitário, melancólico e comovente vagabundo que comoveu o mundo com suas histórias nem sempre felizes, mas sempre hilárias.

"Poucos sabem que Carlitos nasceu em 1914, ainda na Keystone, o primeiro estúdio norte-americano em que Chaplin trabalhou. Foi só com o passar do tempo que ele deixou de ser antipático para se consolidar, finalmente, em "Luzes da Cidade" (1931) como o simpático vagabundo", contou o francês Sam Stourdzé, curador da exposição "Chaplin e sua Imagem", que entra em cartaz nesta quarta-feira (19) no Instituto Tomie Ohtake e traz facetas até então pouco conhecidas do grande público de um dos maiores gênios da história do cinema.

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Poderia se chamar de arqueologia contemporânea o trabalho que Stourdzé, um dos maiores especialistas quando o assunto é "escavar" a vida de Charles Chaplin, realizou - ele é diretor do Lausanne’s Elysée Museum, na Suíça, onde o ator e diretor passou os últimos anos de sua vida, após ter sido impedido de retornar ao Estados Unidos durante uma viagem à Europa. Não por acaso, o Lausanne Museum é detentor de vasto acervo de imagens da vida pública e privada de Chaplin.

É parte deste acervo capaz de emocionar qualquer fã do artista que poderá ser visto pela primeira vez no Brasil. A exposição, que já passou por diversos países europeus, Estados Unidos e México, chega agora ao Brasil propondo uma interessante confrontação entre a figura pública e a pessoal de Charles Chaplin.

Chaplin no set de
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Chaplin no set de "Tempos Modernos"
Na esfera pública, merece atenção especial a obsessão do ator em "não ser cortado da cena". "Chaplin detestava ter suas cenas cortadas. Tanto que, com o tempo, aprendeu a fazer gags, movimentos e trejeitos que chamavam atenção do público e que, por fazerem rir, não poderiam ser cortadas", comenta Stourdzé, que vem a São Paulo pela primeira vez para a abertura da mostra.

O acervo de fotografias da exposição também recebe destaque especial. As mais de 200 fotografias, com imagens de bastidores e dos filmes, estão acompanhadas de gravuras que formam sequências cinematográficas. O Álbum de Keystone,  com imagens acompanhadas de pequenos textos sobre os primeiros 35 curtas em que Chaplin atuou, são um importante documento para entender a evolução do personagem Carlitos.

Vale lembrar que esta é a primeira vez que Chaplin ganha uma exibição tão ampla e completa em museus pelo mundo. "Já houve muitas mostras de filmes e até fotográficas, mas sempre em cinemas, festivais, cinematecas. A junção da obra de Chaplin com o acervo 'de atrás das câmeras' de sua carreira, construindo um diálogo entre os dois mundos, é inédita", diz o curador, para quem cenas como o making of filmado por Sydney, irmão de Charles, durante as filmagens de "O Grande Ditador", no fim da década de 30, é um dos grandes destaques da exposição. 

SERVIÇO
Chaplin e Sua Imagem

Instituto Tomie Ohtake (Av. Brigadeiro Faria Lima, 201)
De terça a domingo, das 11h às 20h
Entre 19/10 e 27/11
Entrada gratuita

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