Morre aos 80 anos cineasta francês Claude Chabrol

Ícone da Nouvelle Vague, diretor era um dos maiores nomes do cinema francês

iG São Paulo com agências |

AP
Claude Chabrol no ano passado, ao receber prêmio pelo conjunto da obra no Festival de Berlim
Grande figura da Nouvelle Vague, que revolucionou o cinema francês, o cineasta Claude Chabrol morreu neste domingo aos 80 anos, informou ontem a prefeitura de Paris. O diretor de Nas Garras do Vício , Mulheres Diabólicas e A Teia de Chocolate descreveu com bom humor, através de sua extensa obra, os defeitos da burguesia provinciana francesa.

Amigo íntimo de diretores lendários como François Truffaut e Jean-Luc Godard, que romperam com a tradição do cinema francês, foi um diretor prolífico, tendo feito cerca de 60 filmes. A notícia da morte do cineasta, um ano depois dele ter lançado deu último longa metragem, Bellamy , com o ator Gerard Depardieu, foi recebida com manifestações de tristeza pela elite cultural e política francesa.

"A França e o cinema francês perderam um dos seus gigantes," disse Martine Aubry, líder do Partido Socialista. "O cinema de Claude Chabrol foi uma das obras que construiu a visão da nossa sociedade sobre si mesma."

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, descreveu Chabrol como "um grande autor e cineasta" e disse: "Tenho certeza que vamos sentir a sua falta."

Nascido em 24 de junho de 1930 em Paris, onde seus pais eram donos de uma farmácia, Chabrol teve uma infância confortável de classe média. Ele estudou arte na Sorbonne e passava o tempo conversando sobre cinema com os jovens Godard e Truffaut.

Divulgação
Isabelle Huppert à frente em cena de "Mulheres Diabólicas" (1995)
Mais tarde, na década de 50, os três se tornaram críticos de cinema da influente revista de cinema Cahiers du Cinema, antes de começarem suas carreiras como diretores. Eles romperam com o foco do cinema francês de trabalhar com dramas históricos, para produzir temas contemporâneos, com protagonistas comuns e com estruturas de narrativa fragmentada.

Em pouco tempo, Claude Chabrol se impôs como autor, realizador e produtor de seus filmes. Nas Garras do Vício (1957), con Jean-Claude Brialy, recebeu o prêmio Jean Vigo e o grande prêmio do Festival de Locarno em 1958.

Os Primos , filme que Chabrol produziu em 1959 com o dinheiro da herança da sua mulher, costuma ser citado como o primeiro longa- metragem da era New Wave. O filme lidava com temas existenciais, inclusive o isolamento e o absurdo da vida moderna e a obsessão da classe média com as aparências.

"Temos frequentemente a tendência de enfatizar o lado trágico da vida, mas eu olho para o seu lado engraçado. Acredito demais na natureza humana", disse Chabrol numa entrevista em 2005.

AFP
Chabrol em set de filmagem em 1979
Filmes da Nouvelle Vague, que fizeram bastante sucesso internacional, tanto de crítica quanto comercial, no fim da década de 50 e no começo dos anos 60, exerceram forte influência em Hollywood, como por exemplo, em Bonnie e Clyde , de Arthur Penn. Os novos diretores de Hollywood – inclusive Robert Altman, Martin Scorcese e Brian de Palma – foram inspirados por Chabrol e seus contemporâneos. O vencedor do Oscar Quentin Tarantino dedicou seu filme Cães de Aluguel , de 1992, à Godard.

Chabrol se divorciou para casar-se novamente com a atriz Stéphane Audran, sua atriz musa, que interpretou papéis marcantes em filmes como A Mulher Infiel e O Açougueiro (1969), além de Ao Anoitecer (1970).

Chabrol pintou com crueldade e sem recato o comportamento e os hábitos da burguesia provinciana, com seus escândalos encobertos por uma fachada de respeitabilidade, sem hesitar na hora de forçar as situações até o limite da queda absoluta.

Com Violette (1978), célebre envenenadora parricida dos anos 30, o cineasta contribuiu para revelar o talento da atriz francesa Isabelle Huppert, a quem escalou para estrelar cinco outros filmes, entre os quais Um Assunto de Mulheres (1988), Mulheres Diabólicas ( 1995) e A Teia de Chocolate (2000).

Outros filmes mais leves, como Delegado Lavardin (1986) e Frango ao Vinagrete (1985), que contam histórias policiais estreladas pelo ator Jean Poiret, foram grandes sucessos de bilheteria. O conjunto de sua obra, com mais de 80 filmes para o cinema e a televisão, foi coroado com o Prêmio René Clair da Academia Francesa (2005) e o Grande Prêmio 2010 de autores e compositores dramáticos.

Chabrol se casou pela terceira vez em 1983 com Aurore Pajot, e era pai de quatro filhos.

* com Reuters e AFP

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