Ministério da Justiça classifica "Serbian Film" para 18 anos

Estreia do filme está liberada em território nacional, mas exibição continua proibida no Rio

iG São Paulo |

Divulgação
Versão nacional do cartaz de "A Serbian Film"
O Ministério da Justiça (MJ) divulgou nesta sexta-feira (05) a classificação indicativa de "A Serbian Film - Terror Sem Limites", de Srdjan Spasojevic . Depois de um mês e meio de espera, o Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação definiu o longa sérvio como "não recomendado para menores de 18 anos, por conter sexo, pedofilia, violência e crueldade”. A estreia sem cortes, portanto, está confirmada em todo o país para 26 de agosto, exceto no Rio de Janeiro.

"Serbian Film" foi proibido no Rio pelo Tribunal de Justiça do Estado por apologia à pedofilia. Na semana passada, a Procuradoria da República de Minas Gerais encaminhou recomendação ao Ministério da Justiça solicitando o veto da produção em todo o território nacional. O caso foi parar na Consultoria Jurídica do MJ , que concluiu que o órgão não possui competência para proibir a veiculação de filmes – a proibição só pode acontecer por decisão judicial.

Com o anúncio, "Serbian Film" está liberado para entrar em cartaz em circuito comercial. Segundo Raffaele Petrini, da Petrini Filmes, responsável pela distribuição do longa no Brasil, os pôsteres já começaram a ser enviados para as salas e as pré-estreias, só com cópias digitais, começam no dia 15. A exibição no Rio, no entanto, continua impedida e a única cópia em película no país, em poder da Justiça.

O filme seria exibido em julho no RioFan, festival de cinema fantástico no Rio, mas foi barrado pelo patrocinador , a Caixa Econômica Federal. Depois, uma sessão especial no Cine Odeon foi proibida pela Vara da Infância, da Juventude e do Idoso do Rio e os negativos, apreendidos. A cópia em película, falada em sérvio e sem legendas em português, foi confiscada para que a Justiça analise seu conteúdo. 

O impasse acendeu discussões de que a censura teria voltado ao país e motivou manifestações de diversas entidades, entre elas o Congresso Brasileiro de Cinema (CBC), a Associação Brasileira dos Documentaristas (ABD) e da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine). O último caso de proibição de um filme no país havia ocorrido em 1985, com "Je Vous Salue, Marie", de Jean-Luc Godard.

Petrini já recorreu duas vezes da decisão, sem sucesso, e pretende continuar tentando reverter o veto no Rio. "Todos os desembargadores até agora se recusaram a ver o filme. Mas toda essa mobilização por parte público, que não abre do direito de ver o filme, é interessante e pode influir num parecer favorável."

"É um alívio", continua ele, se referindo à conclusão do caso no Ministério da Justiça. "O pessoal do ministério havia comentado que existia uma pressão para que o filme fosse proibido, mas eles não têm esse poder, ia ser ilegal. Já é um passo à frente e espero que coisas assim não se repitam, que seja um caso isolado."

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