"Minha casa está dentro de mim", diz Rodrigo Santoro em Paulínia

Ator interpreta filho pródigo em "Meu País", que conta com Cauã Reymond e Débora Falabella; elenco e equipe falam sobre o filme

Marco Tomazzoni, enviado a Paulínia |

O elenco de "Meu País" provocou até agora o maior burburinho nos debates com a imprensa do Paulínia Festival de Cinema 2011, no início da tarde deste domingo (10). Flashes pipocavam por todos os lados para flagrar Rodrigo Santoro, Débora Falabella e Cauã Reymond, uma mistura de celebridades rara de se encontrar no cinema nacional, ainda mais no drama que é o longa de ficção de estreia de André Ristum.

Divulgação/Agência Foto
Rodrigo Santoro, Débora Falabella e Cauaã Reymond na exibição de "Meu País" em Paulínia
Protagonista inconteste do filme, Santoro ( leia entrevista ao iG ) interpreta um brasileiro endinheirado que volta ao Brasil devido à morte do pai, depois de estar muitos anos na Itália. Com um pé aqui e outro em Hollywood, onde em breve contracena com Jennifer Lopez, o ator falou que os trabalhos internacionais o ajudaram, mesmo que de forma indireta, a compor o personagem.

"Tenho alguma experiência em morar fora, o que instintivamente me inspirou. Conversei muito com o André [o diretor], ele foi uma fonte de inspiração. Mas o filme trata mais de uma questão familiar. O país dele, nesse caso, é metafórico – é a família, de quem estava desconectado."

Para Santoro, no entanto, isso nunca foi um problema. "Em qualquer lugar que esteja, minha casa está dentro de mim: minha família, meus amigos."

Filho de Jirges Ristum, assistente de direção que trabalhou no passado com Bernardo Bertolucci, Michelangelo Antonioni e Glauber Rocha, entre outros cineastas, André nasceu na Itália e a experiência contaminou o filme, que foi filmado em parte em Roma e tem atores italianos.

"A Itália foi o ponto de partida, estava no roteiro desde o início. Partiu do desejo de falar da descoberta de raízes, de encontrar seu país e seu lugar, que ficou muito forte na minha adolescência. O sentimento de ser estrangeiro em qualquer país me acompanhou ao longo de toda a vida."

O tripé de "Meu País" é completado por Reymond, o irmão ovelha negra da família, e Débora, a irmã que ninguém conhecia, com problemas mentais. A atriz contou como foi o desafio para compor o personagem. "André queria que ela entrasse no filme de maneira muito delicada e que a deficiência dela não ultrapassasse a história. É uma deficiência intelectual, não psiquiátrica, por isso não tem características definidas. Nisso, a preparação física foi muito importante."

Na época da filmagem, Débora tinha acabado de ser mãe, o que, segundo ela, colaborou no processo. "Trouxe esse universo lúdico para contribuir no personagem, uma criança em corpo de mulher." Santoro concorda e afirma que isso era visível. "Débora estava com uma luz incrível fiquei só absorvendo."

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Débora Falabella e Ristum em Paulínia
No filme, Cauã é um bon vivant viciado em jogos. Antes das gravações, ele e o diretor circularam por cassinos clandestinos para aprender pôquer e estudar o universo dos frequentadores. "Foi muito legal conhecer essa noite diferente paulistana. Fomos a muitos cassinos proibidos, que até políticos vão."

Sobre os ensaios, Reymond lembrou que enquanto filmava "Estamos Juntos", de Toni Venturi, se encontrava nos intervalos com Santoro para se preparar, encontrar afinidades e diferenças dos irmãos que os dois interpretam.

"Senti que todo o processo foi muito orgânico, não tivemos que fazer muito esforço no set", disse Santoro. "Família é afeto, e acho que Cauã trouxe isso", comentou mais tarde.

Com orçamento de R$ 4,4 milhões, 90% do Brasil e 10% da Itália, "Meu País" tem estreia prevista para 16 de setembro.

* o repórter viajou a convite do festival

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