Mila Kunis: da União Soviética para o primeiro time de Hollywood

Depois do sucesso de "Cisne Negro", atriz que ficou conhecida na TV conquista o cinema americano

Marco Tomazzoni, iG São Paulo |

Se você assistiu a "Cisne Negro", dificilmente não lembrará de Mila Kunis. Natalie Portman ganhou os louros e o Oscar pelo filme, mas a tela fumegava mesmo era quando a colega da personagem entrava em cena – impetuosa, sensual e quente, muito quente. Aí Hollywood despertou para o talento de Kunis, que lança nesta sexta-feira (30) nos cinemas brasileiros "Amizade Colorida", uma comédia romântica ao lado de Justin Timberlake. Não é todo dia que uma atriz ucraniana conquista o estrelato.

Divulgação
Mila Kunis em "Cisne Negro"

Isso mesmo: Kunis nasceu na Ucrânia em 1983, em pleno regime socialista – a União Soviética ainda demoraria alguns anos para ruir. Preocupados com o futuro dos filhos, os pais de Mila, que tem um irmão, participaram de uma "loteria", mais ou menos como acontece ainda hoje, para imigrar aos Estados Unidos. Deu certo e a família desembarcou em Los Angeles quando a então garotinha tinha sete anos e não falava uma palavra de inglês.

Ao se matricular numa escola local, sofreu um bloqueio: emudeceu e chorava o dia inteiro. Muito depois ela confessou que a experiência serviu de combustível para a redação que escreveu para entrar na universidade. "Imagine ser cego e surdo aos sete anos", dizia a primeira frase. Não demorou, porém, para a criança superar isso e, veja só, se matricular em aulas de teatro.

A partir daí, aconteceu o que normalmente acontece: um olheiro viu a menina na rua e logo depois ela estava fazendo comerciais da boneca Barbie, participações na TV em programas como a longeva novela "Days of Our Lives" e até pontas no cinema, apesar de serem filmes de qualidade duvidosa ("Querida, Encolhi a Gente", de 94, e "Herói por Engano", de 96, no qual o bombado Hulk Hogan imagina ser Papai Noel). Em 1998, interpretou a jovem Angelina Jolie em "Gia - Fama e Destruição", telefilme sobre a vida da primeira supermodelo norte-americana.

No mesmo ano, Mila Kunis conseguiu o papel que a tornaria conhecida. Aos 14 anos, foi chamada para um teste que só admitia atrizes maiores de 18. Bancou a desentendida com os produtores e entrou para o elenco de "That 70's Show" como Jackie, a namorada patricinha do estabanado Kelso (Ashton Kutcher, em seu primeiro grande trabalho). O programa foi um estouro e se estendeu por oito temporadas – nem sempre com o mesmo brilho, é verdade.

O que parecia ser uma sina de Kunis. Seu sucesso na série foi ofuscado por uma série de escolhas erradas e que ofuscaram sua transição para o cinema. O primeiro deles foi "Psicopata Americano 2" (2002), sequência do filme cult estrelado por Christian Bale dois anos antes. A história sobre uma estudante de criminologia que começa a matar os colegas era tão ruim que foi lançada direto no mercado doméstico, assim como a bomba "A Ilha - Uma Prisão Sem Grades" (2008). Se o independente "After Sex" trazia Mila namorando a bela Zoe Saldana, não foi o suficiente para o público se interessar.

Pelo meio do caminho, uma rara decisão acertada foi entrar para o time de vozes da série animada "Family Guy", criada por Seth MacFarlane. Mesmo assim foi por pouco: o programa foi cancelado em 2001, após sua terceira temporada, e voltou a ser produzido graças à forte venda de DVDs. De volta à TV, "Family Guy" se estabeleceu como uma unanimidade de público e crítica e ícone de um humor ácido raro no entretenimento norte-americano.

Namoro com Macaulay Culkin

Ao mesmo tempo, Kunis era uma persona conhecida. Namorou Macaulay Culkin por oito anos, até 2010, e participou de clipes de bandas como Kiss e Aerosmith. A insistência rendeu finalmente dividendos em "Ressaca de Amor" (2008). O diretor Judd Apatow, coprodutor da comédia, havia visto a atriz num teste para "Ligeiramente Grávidos" e resolveu chamá-la para seu primeiro papel importante, que lhe rendeu boas críticas. Importante, mas nem tanto. "Não apareço muito no filme. Então eu ficava deitada de biquíni [no Havaí] tomando piña colada o dia inteiro e comendo hambúrgueres", comentou Kunis à epoca.

Na sequência, vieram "Max Payne", adaptação do videogame com Mark Walhberg que não foi muito bem recebida (e na qual Mila pôde pela primeira vez exibir-se falando russo); "Maré de Azar" (2009), comédia de Mike Judge ("Beavis e Butt-head") com Ben Affleck e Jason Bateman; e "O Livro de Eli" (2010), ação pos-apocalíptica com Denzel Washington no papel principal.

Depois disso, veio a aclamação por "Cisne Negro". Mila Kunis fez quase tantas aulas de balé quanto Natalie Portman para viver a novata na companhia de dança que serve tanto como uma ameaça para a personagem quanto para seu despertar sexual. Não foi pouca gente que ficou sem fôlego ao ver as duas atrizes numa cena tórrida. O desempenho de Kunis rendeu uma indicação ao Globo de Ouro e o prêmio do Festival de Veneza para atores jovens. Merecido.

O sucesso comercial e de crítica do filme abriu as portas para diversos convites. "Amizade Colorida", sua estreia como protagonista no primeiro time de Hollywood, é o primeiro concretizado e já faturou US$ 111 milhões (R$ 204 mi).

Prestes a sair do papel estão "Os Muppets" e "Ted", escrito e dirigido por Seth MacFarland, em sua estreia em longa-metragem. O filme traz Mark Walhberg, parceiro da Kunis em "Max Payne", como dono de um ursinho de pelúcia que ganha vida e o atormenta na vida adulta.

O mais esperado é "Oz: The Great and Powerful", prelúdio de "O Mágico de Oz". Muito antes de Dorothy caminhar pela estrada de tijolos amarelos, James Franco interpreta o personagem-título, que conhece três irmãs bruxas – em ordem etária, Rachel Weisz, Michelle Williams e Kunis. A direção ficou a cargo de Sam Raimi ("Evil Dead", "Homem-Aranha"), que deve ajudar a transformar a bailarina coadjuvante em solista permanente.

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