Michael Fassbender interpreta viciado em sexo no drama 'Shame'

Carey Mulligan faz o papel da irmã do ator no filme do diretor Steve McQueen

AE |

Seria o sonho de um ator exibicionista - Michael Fassbender aparece nu, de frente para a câmera, em boa parte de "Shame", que estreia hoje. O filme de Steve McQueen lhe valeu o prêmio de interpretação masculina - a Taça Volpi - no Festival de Veneza 2011 . Brad Pitt, que vai produzir o próximo filme do autor homônimo do astro hollywoodiano dos anos 1960 e 1970, já se rendeu ao "enorme talento" de Fassbender. Você vai entender o que ele está dizendo.

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Michael Fassbender em 'Shame'

O problema, esclarece o ator, é que ele não é um exibicionista - e foi doloroso desnudar-se, ao mesmo tempo no sentido físico e emocional, diante da câmera de McQueen. Mas Fassbender não vacilou quando McQueen lhe propôs o papel. Já na primeira vez que falaram do assunto, no set de "Hunger" (2008), Fassbender havia dito que, se o diretor quisesse, ele estaria ‘dentro’.

A explicação é simples. Fassbender estourou em 2008, no auge da crise econômica. O cinema, como atividade industrial, foi duramente atingido. "Se não fosse o papel em 'Hunger', não sei se um ator como eu teria conseguido novos convites." 

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Carey Mulligan em 'Shame'
Mas eles vieram - para "Bastardos Inglórios", de Quentin Tarantino; "Jane Eyre", que será lançado neste mês diretamente em DVD. Fassbender, modesto, credita seu sucesso a McQueen. Antes de ser diretor, ele era um provocativo artista plástico. Afrodescendente, não tem nada que o assemelhe, fisicamente, ao astro de Hollywood.

E este McQueen sempre bateu pesado - sua série da Guerra do Iraque é admirável. Sobre uma coleção de selos em homenagem à rainha Elizabeth 2ª, ele estampou os nomes dos soldados ingleses mortos na guerra. Fez um vídeo, uma instalação, com suas imagens. O resultado é impactante.

 O cinema de Steve McQueen também é impactante. "Hunger" e "Shame" dialogam tão intensamente entre si que se poderia dizer que formam um díptico - sobre uma possível poética do corpo, tendo como centro Michael Fassbender. "Hunger" conta a história do militante do IRA (Exército Republicano Irlandês) Bobby Sands. Preso numa cadeia inglesa, ele iniciou uma greve de fome - e morreu. O episódio pode ser visto, de outro ângulo, em "A Dama de Ferro", do ponto de vista da premier Margaret Thatcher (Meryl Streep), que se nega a conceder indulto a Sands, no filme dirigido por Phyllida Lloyd.

Leia também: "Shame" ganha prêmio da crítica internacional no Festival de Veneza

Fassbender/Sands, reduzido a pele e osso, busca na greve de fome - na morte? - a via de escape da prisão em que está confinado. "Shame" é sobre outra prisão, a do corpo, mais interna. Brandon, o novo personagem de Fassbender, é viciado em sexo. Quando não está copulando, masturba-se compulsivamente.

Como um predador sedento de sangue, o sexo heterossexual não lhe basta e ele se arrisca em experiências homo. O elemento desestabilizador do (anti)herói é que ele é forçado a abrigar sua irmã, Carey Mulligan. Não é só a ideia do outro corpo que não pode possuir - a interdição do incesto. Tanto quanto Brandon necessita de sexo, ela, sua irmã, necessita de afeto. Difícil imaginar figuras mais carentes.

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