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Medo é a tônica do peruano A Teta Assustada , exibido na mostra latina

GRAMADO ¿ A competição latina no Festival de Gramado continuou em alto nível na noite desta terça-feira (11) com o peruano ¿A Teta Assustada¿, de Claudia Llosa. Ganhador do Urso de Ouro, prêmio máximo do Festival de Berlim, o filme bebe em um mito andino para mostrar ao mundo, com sensibilidade, a vida na periferia de Lima e a colorida cultura indígena peruana.

Marco Tomazzoni, enviado a Gramado |

Divulgação

Protagonista de "A Teta Assustada" vivencia pavor herdado da mãe ba amamentação

A contextualização social, no entanto, é apenas suporte para a triste história de Fausta, a excelente Magaly Solier, que já havia trabalhado com a diretora em seu longa de estreia, Madeinusa. Reza a lenda que as mulheres estupradas durante a violência militar no Peru transmitiam seu medo e trauma para os filhos quando os amamentavam. Foi o que aconteceu com a mãe da personagem, violentada durante a gravidez.

Criada desde a infância com a certeza de que está amaldiçoada, Fausta vive em constante desespero. Rígida, com os olhos sempre assustados, tem um medo, segundo o mito, que a faz viver embaixo da terra. O temor de que também vá ser estuprada, por mais improvável que seja, leva a um fato insólito: se guiando por uma história antiga, ela mantém uma batata dentro da vagina, crendo que o nojo do tubérculo quase putrefato e cheio de brotos afugente os malfeitores.

Se engana quem pensa que a bizarrice da situação provoca risadas involuntárias. A aflição da garota é tão genuína que é impossível não se sensibilizar com o caso, até pela simbologia que ele representa ¿ a batata não só é há milênios o principal alimento dos povos andinos, como também é utilizada para mostrar o futuro de uma relação: no anúncio do noivado, se a noiva descascar a batata em uma tira fina e longa, terá um casamento feliz e duradouro.

Na trama, Fausta precisa arranjar dinheiro para levar o corpo da mãe, recém morta, ao povoado da família. Ela se força a trabalhar no casarão de uma pianista rica da sociedade local e tenta dominar seu medo aterrador através de músicas que a mãe lhe ensinava ou que inventa na hora, todas com uma beleza e melancolia de arrepiar.

Sobrinha do escritor Mario Vargas Llosa, a diretora prova em seu segundo longa-metragem que tem talento para buscar histórias pitorescas da cultura peruana e contá-las através de planos quase poéticos, auxiliada desta vez pela linda fotografia de Natasha Braier (XXY). Assim como na Alemanha, A Teta Assustada pode arrebatar o júri em Gramado. Resta esperar os outros concorrentes.

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