Marcos Paulo usa deboche para filmar 'Assalto ao Banco Central'

Ator estreia na direção em longa que retrata o maior roubo a banco da história do País

Marco Tomazzoni, enviado a Paulínia |

Divulgação/Agência Foto
Marcos Paulo apresenta "Assalto ao Banco Central" no encerramento do Festival de Paulínia
Com estreia marcada para a próxima sexta-feira (22), "Assalto ao Banco Central" reconstitui o maior assalto a banco da história do país e o segundo mais vultoso do mundo – R$ 164,7 milhões em agosto de 2005 foram levados da sede do Banco Central de Fortaleza através de um túnel.

É o primeiro longa-metragem dirigido pelo ator Marcos Paulo, veterano da Rede Globo. Segundo ele, o humor que existe no filme, exibido no encerramento do Paulínia Festival de Cinema 2011 , reflete de certa forma o deboche que permeia muitos fatos históricos do país.

"Percebemos isso na ilha de edição, os atores eram cômicos", afirmou o diretor em entrevista na manhã desta sexta-feira (15). "Boa parte do dinheiro nunca foi encontrada, isso é um grande deboche. A gente percebeu que poderia também contar um pouco com esse humor brasileiro e esse deboche."

O elenco, puxado por Eriberto Leão, Lima Duarte, Giulia Gam, Hermila Guedes e Milhem Cortaz, interpreta versões ficcionalizadas da história real, tanto da polícia quanto dos bandidos.

A produtora Walkíria Barbosa explicou que isso surgiu também de aspectos práticos – a lei de direitos autorais brasileira não permite que se faça um filme sobre personagens reais sem que eles ou a família dêem sua autorização, o que poderia originar um bizarro processo dos assaltantes, alguns deles ainda foragidos, contra o filme.

Marcos Paulo, no entanto, disse que desde o início, quando sua mulher, a atriz Antonia Fontenelle, sugeriu o argumento do filme, nunca quis se ater apenas aos fatos. "Não tive a pretensão de contar a história real porque tudo é tão surreal que não se sabe, inclusive, quando ela vai acabar. Há pouco tempo prenderam um cara . E a minha área é a ficção, onde a gente pode falar verdades contando mentiras, no bom sentido. Dá chance para o autor e para os atores criarem."

Divulgação
Eriberto Leão, o criminoso boa pinta de "Assalto ao Banco Central"

A equipe e o roteirista Rene Belmonte (série "Se Eu Fosse Você") tiveram acesso ao material de mídia da época e aos autos do processo - além de contar com consultoria da Polícia Federal -, que ajudaram a moldar os delegados intepredos por Lima Duarte e Giulia Gam. "Como no Brasil não temos expertise nesse gênero policial, tivemos uma verdadeira aula de como é hoje a Polícia Federal. Uma geração mais velha, que trabalha com o conceito, e uma mais nova, mais tecnológica, com base na pesquisa, ciência e legalidade", contou Walkíria.

Até hoje, R$ 140 milhões não foram recuperados e estima-se que cinco membros do bando ainda permaneçam em liberdade. A estrutura caseira do assalto – formado por pessoas simples, operários que cavavam o túnel, e pelos cabeças da operação – surpreendeu os executivos da Fox International, coprodutora do projeto. "O roteiro ia e vinha e eles não entendiam como é que um monte de pés-rapados conseguiu fazer um assalto desse tamanho", disse Walkíria.

Por conta das lacunas do caso, o site oficial do filme mantém um espaço para que as pessoas contribuam com novas informações. "É surpreendente o volume de informações novas que estão chegando. Nao sei se vão ajudar na investigação, mas são subsídios que podem ser guardados para o futuro", defendeu Marcos Paulo.

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