"Marcha da Vida" lembra vítimas do Holocausto

Produzido no Brasil, mas com diretora americana, documentário registra viagem de jovens e sobreviventes à Polônia

iG São Paulo |

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Adolescentes caminham em trilhos que levavam a campo de concentração em "Marcha da Vida"
Anualmente, 10 mil pessoas percorrem a pé, juntas, os três quilômetros que separam Auschwitz de Birkenau, na Polônia. O percurso é o mesmo que judeus presos por oficiais nazistas faziam até o campo de extermínio cientes de que seriam mortos. A Marcha da Vida, como é chamada, reúne visitantes de 40 países, a maioria adolescentes, acompanhados de perto por quem sobreviveu ao Holocausto. A ideia é não deixar que a barbárie protagonizada por Hitler se perca na história. O registro dos 20 anos da marcha deu origem ao documentário homônimo, que chega nesta sexta-feira (29) aos cinemas do país.

Embora também tenha sido filmado nos Estados Unidos, Alemanha, Polônia e Israel, a origem do projeto é brasileira. O publicitário e escritor Márcio Pitliuk já tinha ouvido falar da marcha e, quando se interessou em viajar à Europa, em 2008, resolveu encarar um pacote completo – livro, documentário e cobertura ao vivo por uma rádio de São Paulo, até porque nada aparecido existia. "Apesar de estar completando 20 anos, nunca ninguém havia feito um registro profissional", conta ele, que se reuniu com a Marcha da Vida Internacional, responsável por organizar o evento, para conseguir apoio e autorização.

Pitliuk se encarregou de escrever o livro, publicado em 2009 com fotos de Márcio Scavone, e foi atrás de parcerias para realizar o documentário. Entraram na equipe, então, a Conspiração Filmes, por trás de trabalhos como "Lope", "A Mulher Invisível" e "Era Uma Vez...", e, na sequência, a diretora americana Jessica Sanders, indicada ao Oscar pelo curta documental "Sing!" (2001). Juntos, foram à Polônia para planejar as filmagens e conhecer locações antes dos grupos chegarem para a marcha, realizada entre o fim da páscoa judaica e o dia do Holocausto, no fim de abril ou começo de maio.

"Marcha da Vida" segue especificamente grupos de adolescentes de Los Angeles, São Paulo e Berlim, que saem de escolas e rotinas confortáveis para encarar a realidade de seus antepassados: 70% do total dos participantes é jovem e 75%, judeus, que embarcam na viagem para entender de onde vêm e quem são. "É muito difícil encontrar um judeu que não tenha um antepassado que não passou pelo Holocausto", lembra Pitliuk. "Antes do jovem ir, o avô conta histórias, por exemplo. É muito forte para a gente."

Ao chegar na Polônia e ver os campos – alguns pouco conhecidos do resto do mundo, como Treblinka e Madjanek –, o choque no rosto dos visitantes é evidente. Hoje, aqueles prédios rodeados por árvores, grama e até flores não lembram muito as imagens em preto e branco do imaginário universal, mas é só se deparar com "chuveiros" de gás, pilhas enormes de cabelo ou cinzas de corpos humanos para que a história salte dos livros para a vida real. "Você vem e sente emoções, não fatos", compara um estudante brasileiro no filme.

A viagem pela Europa dura cinco dias. Depois, os grupos seguem para Israel por outros dez para "comemorar a vida", afirma Pitliuk. Parte essencial do programa, no entanto, diz respeito aos sobreviventes. Memória viva do massacre, são eles que fornecem emoção e veracidade à marcha. "Os sobreviventes sao as últimas testeminhas oculares, além dos campos estarem lá, intactos. Daqui a 10 anos, não vai haver mais nenhum. No momento em que isso acontecer, vai ser mais fácil de negar o Holocausto, coisa que antissemitas como Ahmadinejad e Chávez gostam de fazer, dizer que é 'uma invenção dos judeus'. Por isso é fundamental documentar tudo isso."

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