Arrasado pela crítica, filme é uma colagem de clichês românticos, sentimentais e visuais

Em "W.E. - O Romance do Século" , seu segundo filme como diretora (o primeiro foi "Filth and Wisdom", 2008), a popstar Madonna investe mais energia em enunciar sua admiração por um de seus ícones - Wallis Simpson (1896-1986) - do que propriamente na composição de uma história sólida capaz de sustentar um roteiro.

O rei Eduardo VIII (James D'Arcy) e Wallis Simpson (Andrea Riseborough) em
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O rei Eduardo VIII (James D'Arcy) e Wallis Simpson (Andrea Riseborough) em "W.E. - O Romance do Século"
Misturando a história real do romance entre Wallis (Andrea Riseborough), plebeia americana duas vezes divorciada, e o rei inglês Eduardo VIII (James D'Arcy), que renunciou por ela ao trono em 1936, e uma jovem contemporânea também chamada Wallis (Abbie Cornish), obcecada pela figura da xará, Madonna fez uma verdadeira colagem de clichês românticos, sentimentais e visuais.

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James D'Arcy e Andrea Riseborough em
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James D'Arcy e Andrea Riseborough em "W.E.", de Madonna
O resultado foi um filme chocho, em que nem mesmo a trilha musical fez jus ao passado da diretora. Ainda assim, ela conquistou um Globo de Ouro de melhor canção original para "Masterpiece", em que é coautora de letra e música, ao lado de Julie Frost e James Harry.

A narrativa intercala episódios do turbulento romance dos anos 30 - o que dá o pretexto para um desfile de roupas de época que valeram uma indicação ao Oscar de figurino - com a vida dessa sofrida Wallis moderna, que vive em Nova York.

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Jovem esposa, rica e bonita, ela se debate entre a fixação por ter um filho, apesar de ser casada com um marido violento (Richard Coyle), e pelos objetos de Wallis Simpson, que estão em exposição para um futuro leilão pela casa Sotheby's.

Quase diariamente, Wallis visita a exposição, passando horas entre os móveis, objetos e roupas da xará, que o filme retrata como uma verdadeira heroína feminista, capaz de escapar do primeiro marido espancador e se tornar parâmetro de uma conduta libertária que, em última análise, fascinou o então príncipe Eduardo.

A constante presença de Wallis fascina também o segurança da exposição, o russo Evgeni (Oscar Isaac), que faz de tudo para atrair sua atenção. Evgeni é bem mais intelectualizado do que parece, tendo deixado para trás um passado como pianista.

É desta tensão entre as duas histórias românticas, a do passado e a do presente, que Madonna tenta armar seu roteiro, escrito em parceria com Alek Keshishian (diretor do documentário "Na Cama com Madonna", 1991).

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Mas fica evidente desde as primeiras sequências que não há equilíbrio possível entre os dois núcleos. Primeiro, porque a história de Wallis Simpson é muito mais rara e cheia de detalhes saborosos do que a segunda.

Depois, porque o enredo não consegue explicar nunca a razão da atração da Wallis atual pela do passado - a ponto de conversar com seu fantasma em momentos de intimidade, como uma espécie de alterego a lhe dar conselhos.

Tendo sua première no Festival de Veneza 2011, o filme recebeu ali suas primeiras críticas . E a explicação de Madonna, na coletiva do evento, de que tentou retratar Wallis Simpson "como ser humano" também pareceu mais um clichê envolvendo esta equivocada produção.

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