Lutadora de MMA vira estrela de cinema em "À Toda Prova"

Gina Carano distribui pancadas em Ewan McGregor, Michael Fassbender e outros atores do elenco estrelado de Steven Soderbergh

Marco Tomazzoni, iG São Paulo |

Não acuse Steven Soderbergh de preguiçoso. Enquanto não se aposenta do cinema , o diretor emenda um filme no outro e continua atrás de experimentações. Desta vez, resolveu investir em não-atores, como já havia feito em "Confissões de uma Garota de Programa" (2009), protagonizado pela estrela pornô Sasha Grey. Agora, com a ação "À Toda Prova", que estreia nesta sexta-feira (13), Soderbergh voltar a escalar alguém que entendia do assunto: uma lutadora de MMA.

Leia também: Elenco fala sobre "À Toda Prova" no Festival de Berlim

É Gina Carano, de 29 anos, uma espécie de garota-propaganda do esporte nos Estados Unidos. Soderbergh tinha nas mãos o roteiro de Lem Dobbs (com quem havia trabalhado em "O Estranho", de 1999), a história de uma agente secreta particular traída numa missão e que, invertendo as expectativas, sai à caça de quem devia matá-la. Quem melhor para sair distribuindo pancadas convincentemente do que uma profissional? "Não encare ela como uma mulher. Esse seria um erro", aconselha um dos personagens pelo meio do caminho.

Divulgação
Gina Carano em "À Toda Prova": sem tempo para brincadeira
As lutas, de fato, são o que "À Toda Prova" tem de melhor. Além do prazer em ver uma mulher não deixar homem nenhum de pé, as coreografias optam pelo realismo e incorporam elementos que Carano conhece bem dos octógonos – nessas alturas, Michael Fassbender deve ter uma opinião bastante clara sobre jiu-jitsu.

Fassbender é só um dos nomes conhecidos – todos homens – que recheiam o elenco. Depois de quase 30 filmes ("Sexo, Mentiras e Videotape", "Erin Brockovich", "Traffic", "Onze Homens e um Segredo" e uma porrada de outros), é só levantar o telefone e Soderbergh já tem uma filha de atores esperando na porta. Por isso não espanta que Ewan McGregor, Michael Douglas, Antonio Banderas, Channing Tatum e Bill Paxton tenham topado aparecer em pequenos papéis coadjuvantes. Todo mundo só quer é tirar uma casquinha de Soderbergh.

E ele segura o filme com as duas mãos, acumulando, além da direção, a fotografia e a edição. O resultado é elegante, ágil quando precisa e embalado por uma trilha sonora onipresente que alterna jazz e o suingue da Blackspoitation.

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Só ficou faltando uma história que realmente valesse a pena. Há um emanharado genérico sobre espionagem, um tiquinho confuso para não deixar o espectador perceber tudo de cara, mas que não deixa a trama menos superficial. Uma pena, porque Carano agarra seu personagem, uma ex-fuzileira naval nada disposta para brincadeiras, com toda força que tem.

Quando ela diz, com os olhos levemente franzidos, "é bom você fugir mesmo", a gente acredita. Uma nova estrela dos filmes de ação? Tomara que sim.

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