Kevin Spacey fala de seu novo filme, "Casino Jack"

Longa retrata a vida de um lobista norte-americano que trabalhava para cassinos e acabou preso

Reuters |

Divulgação
Kevin Spacey em cena de "Casino Jack"
Kevin Spacey recebeu um Oscar por seus papéis de pai que passa por uma crise da meia-idade em "Beleza Americana" e criminoso astuto em "Os Suspeitos".

Em seu novo filme, "Casino Jack", ele representa o lobista governamental corrupto Jack Abramoff. O papel lhe valeu esta semana uma indicação ao Globo de Ouro de melhor ator em uma comédia.

O filme, que estreia nos cinemas americanos na sexta-feira (dia 17), analisa a cultura do "eu em primeiro lugar" em Washington, exemplificada por Abramoff, que fazia lobby junto a parlamentares em nome de cassinos e pagava propinas a muitos políticos.

Para preparar-se para o papel, Spacey passou horas conversando com Abramoff numa prisão federal nos Estados Unidos, onde o lobista estava detido até ser solto, este mês. Ele conversou com a Reuters sobre o filme, suas impressões sobre Abramoff e seus planos para o futuro.

Abramoff é visto no filme como um personagem bastante complicado. Como você decidiu a maneira com que representá-lo?
Kevin Spacey: Decidi que eu não começaria a fazer uma pesquisa de verdade enquanto não o tivesse conhecido pessoalmente. Eu não queria começar já com muitas opiniões pré-concebidas sobre ele. Abramoff foi muito prestativo, generoso e divertido, e sob vários aspectos muito diferente do que eu imaginava que ele seria. Eu entendi perfeitamente por que ele tinha sido tão bem-sucedido em levantar fundos. Em qualquer lugar onde estivesse, ele teria dominado o ambiente totalmente. Sua cobiça não era para ele mesmo. Foi porque ele se envolveu na disputa para ser o melhor, de ser aquele que ganhava mais dinheiro na cultura do setor do lobby. Francamente, quando você analisa bem, ele não fez nada que todo o mundo em Washington não fizesse. Apenas o fazia melhor que todos os outros, com mais destaque, ganhando mais dinheiro.

Esse tipo de coisa continua a acontecer?
Kevin Spacey: É claro que sim. Se essa situação mudar, não será porque os políticos querem que mude, mas porque o público quer.

Você tem outro trabalho, que é o de diretor artístico do teatro Old Vic, em Londres. Você prefere o teatro ou o cinema?
Kevin Spacey: Sempre preferi o teatro. Comecei no teatro, e nunca o vi como ponte para chegar ao cinema, mas como uma parte tão viável e importante de minha experiência quanto é o cinema. Trabalhar para o Old Vic vem sendo o trabalho mais difícil que já fiz e o que mais me satisfaz. Eu adoro a companhia e as pessoas com quem trabalho, e adoro Londres. Neste próximo ano e meio vou tirar tempo para fazer cinema e televisão, porque sei que em 2012 vou tirar o ano inteiro para fazer "Ricardo 3" com (o diretor) Sam Mendes. A peça vai percorrer o mundo e será encenada no Old Vic.

Conte algo sobre seu próximo filme, "Margin Call", sobre o derretimento financeiro global.
Kevin Spacey: Foi um filme interessante, em que novamente temos eventos que aconteceram de fato e as decisões que foram tomadas. O roteiro é sobre um homem que fica totalmente dividido em relação ao que sua empresa lhe pede para fazer. Ele não era o executivo-chefe, aquele que tomava as decisões; era alguém que recebia ordens. Novamente, é uma situação em que há ideias e figuras retratadas que entram em choque, apesar de serem figuras fictícias baseadas na queda de vários bancos reais.
Foi um elenco ótimo, com Jeremy Irons e Demi Moore. Foi rodado em Nova York, a maior parte à noite. São 24 horas de alta tensão, desde o momento em que percebem que tudo está perdido até a tarde do dia seguinte, quando venderam tudo e tudo praticamente perdeu o valor.

Quais são as chances de Oscar de "Cassino Jack?"
Kevin Spacey: Não sei. Quem sabe? Vamos torcer!

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