Katie Holmes: de estrela ascendente a "primeira-dama" de Cruise

Após casamento com o astro, atriz viu carreira esfriar e engatou série de papéis menores

iG São Paulo |

Tudo ia bem para Katie Holmes . Queridinha do seriado "Dawson's Creek", ela estava em franca ascensão em 2005, depois de protagonizar um par de filmes e entrar no elenco de "Batman Begins". Mas aí veio Tom Cruise , a gravidez, o casamento e um vento frio começou a soprar para os lados da carreira da atriz. Seis anos depois, Holmes é praticamente uma coadjuvante do terror "Não Tenha Medo do Escuro" , que estreia nesta sexta-feira (14). De aspirante a estrela, aos 32 anos virou "apenas" a mulher de um astro de Hollywood.

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Michelle Williams, James Van Der Beek, Joshua Jackson e Katie Holmes em "Dawson's Creek"
Tornar-se alvo de paparazzi provavelmente não estava em seus planos. Depois de frequentar cursos de modelo na adolescência, a jovem Katie viajou a Nova York para um teste e conseguiu um papel pequeno em "A Tempestade de Gelo" (97), de Ang Lee, aos 18 anos. Pouco depois, já em Hollywood, foi escolhida como um dos principais personagens de "Dawson's Creek".

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A série adolescente extrapolou seu público-alvo e virou hit. Muita gente acompanhava atenta a rotina interiorana, mas cheia de drama de Dawson (James Van Der Beek), Jen (Michelle Williams), Pacey (Joshua Jackson) e, claro, da bela Joey (Holmes). O programa se estendeu por seis temporadas, de 1998 a 2003, e abriu as portas do cinema para seu elenco.

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Katie Holmes em foto da série, em 2008
À época, foi justamente Katie Holmes a mais assediada. A atriz apareceu em um punhado de filmes, um atrás do outro: o thriller "Comportamento Suspeito" (1998), pelo qual ganhou um prêmio de revelação feminina da MTV; "Vamos Nessa" (99), celebrado sucesso independente; o suspense "Tentação Fatal" (99), num papel de destaque, como uma das alunas da terrível professora interpretada por Helen Mirren ; o drama "Garotos Incríveis" (2000), ao lado de Michael Douglas; e o thriller "Dom da Premonição" (2000), com Keanu Reeves e Cate Blanchett.

Seu próximo papel como protagonista foi outro suspense, "Sem Pistas" (2002). Atraída pelo roteiro de Stephen Gaghan, ganhador do Oscar por "Traffic", Holmes topou interpretar uma psicopata assassina. A coragem não deu muito resultado: foi um fracasso de público e crítica. Pelo menos em outros papéis como coadjuvante, em "Por Um Fio" e "Crimes de Um Detetive", a reação foi um pouco melhor.

"Do Jeito que Ela É", no ano seguinte, foi outra tentativa ousada. O drama independente, em que Holmes vivia uma desajustada jovem nova-iorquina que queria se reconciliar com a família no Dia de Ação de Graças, era nitidamente uma tentativa de ser levada a sério – a tinta vermelha no cabelo parecia estar gritando "me indiquem ao Oscar ". O filme foi bem recebido, a atuação dela também, mas quem acabou sendo reconhecida pela Academia de Hollywood foi Patricia Clarkson. Um balde de água fria.

A comédia romântica "A Filha do Presidente" trouxe novamente o nome de Katie Holmes encabeçando o cartaz, embora o filme tenha fracassado. "Batman Begins", por outro lado, parecia que ia mudar o jogo.

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Visual rebelde da atriz para "Do Jeito que Ela É"
O fator Cruise


No reinício da franquia de Batman, a atriz foi a escolhida pelo diretor Christopher Nolan para o papel de Rachel Dawes, assistente da promotoria de Gothan City e paixão de infância do herói. Foi um estouro: a ação embolsou US$ 372 milhões nas bilheterias mundiais e reinseriu o homem-morcego com força na cultura popular.

Entra, então, a porção conto de fadas da história – cortesia de Tom Cruise. Depois de "Batman", no início de 2005, Holmes viajou para Los Angeles para tentar ser escalada em "Missão Impossível 3". Conheceu Tom Cruise e o resto é história: o ator pediu sua mão no topo da torre Eiffel, ela estava grávida em julho e casada em abril do ano seguinte.

O mundo que cercava Cruise alterou totalmente a rotina da jovem. Katie já era assediada pela mídia, mas nada comparado ao turbilhão que a atingiu por ter se tornado a mulher de um astro. Isso e a cientologia.

A igreja, da qual Cruise é um dos principais divulgadores e dirigentes, tem códigos morais estritos e raízes fortes em Hollywood. Holmes, católica, se converteu à crença do marido e mudou seus hábitos. Seu círculo de amigos passou a ser o de frequentadores da cientologia e trocou sua empresária de anos pela ex-assistente de Cruise, membro de uma família rica e influente da religião.

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Katie Holmes e Tom Cruise em 2007, na abertura de curso de autoajuda com ideias da cientologia
Daí que Holmes consegue vetar uma cena em que ela aparecia fazendo topless na comédia independente "Obrigado por Fumar" (2005), filmada antes do casamento, e resolve desistir da sequência de Batman, motivada, dizem, pelo ciúme de Tom Cruise. Substituída por Maggie Gyllenhaal, ela só não esperava que o filme faturasse mais de US$ 1 bilhão e fosse aclamado como uma das melhores histórias de super-herói de todos os tempos.

Numa série de más escolhas e maré de azar, Holmes nunca mais emplacou um sucesso. Em 2008, fez a comédia "Loucas por Amor, Viciadas em Dinheiro", ao lado de Diane Keaton e Queen Latifah, que teve desempenho menos do que modesto e resenhas pífias. O drama romântico "O Casamento do Meu Ex" , apesar do elenco (Anna Paquin, Josh Duhamel, Elijah Wood), foi lançado sem alarde nos cinemas, da mesma forma que a comédia "The Extra Man", com Kevin Kline.

O terror "Não Tenha Medo do Escuro" , que entrou em cartaz há poucos meses nos EUA, mal pagou seus custos de produção. O thriller "Anti-Heróis", com Al Pacino, teve recepção decepcionante no festival de Sundance, no início do ano.

Na TV, a minissérie histórica "The Kennedys" parecia ser a salvação da lavoura. Nos bastidores, dizia-se que Katie nunca tinha lutado tanto para um papel como esse de Jacqueline Onassis – ela teria se identificado muito com a personagem, por também ter se casado com uma celebridade, adorar ser mãe e querer ser influente na moda (Holmes tem uma linha de roupas com seu nome nos EUA).

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Katie Holmes e Greg Kinnear como o casal Jacqueline e John F. Kennedy em "The Kennedys"
Não funcionou. Apesar dos muitos elogios para o elenco masculino (Greg Kinnear, Barry Pepper, Tom Wilkinson), o programa foi malhado pela falta de rigor histórico, pieguice, roteiro desajeitado e jeitão de novela. De Katie, só se falou da semelhança com Jackie, dos penteados e de seus problemas em conseguir emular o sotaque da ex-primeira-dama.

No teatro, fez uma pequena participação na Broadway, em 2008, numa montagem de "Todos os Meus Filhos", peça do dramaturgo Arthur Miller. Foi alvo de boas críticas, mas não recebeu mais convites. Apesar disso, ela mantém até hoje uma rotina de aulas de canto e dança para encarar um novo papel.

No cinema, as coisas não devem mudar a curto prazo. Seu próximo filme é "Jack and Jill", comédia pastelão em que Adam Sandler interpreta ao mesmo tempo um homem e sua irmã gêmea. Parece uma tentativa desesperada de reconquistar seu prestígio com o público. Até agora, não tem dado muito certo.

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