Júri acerta mais do que erra em Veneza 2009

VENEZA ¿ Foi uma premiação de algumas surpresas, mas poucas polêmicas esta do 66º Festival de Veneza. Desde que foi exibido, ¿Lebanon¿, de Samuel Maoz, entrou na lista dos filmes mais impactantes da competição, por tratar a guerra de uma maneira totalmente pessoal e ao mesmo tempo opinar com força contra a guerra ¿ não somente a do Líbano, retratada na obra, mas contra todas.

Mariane Morisawa, enviada especial a Veneza |

Ainda assim, despertou algumas objeções por exibir a guerra do ponto de vista israelense. Só que, mais do que o recente Valsa com Bashir, que tocava na questão macro, aqui se trata de uma experiência pessoal tratada no microcosmo de um tanque de guerra e do ponto de vista de um soldado.

O Leão de Prata de melhor direção para a estreante Shirin Neshat, por Women Without Men, premia um longa-metragem imperfeito, como disse o presidente do júri Ang Lee, mas que trata de política de forma poética e acredita na força das imagens, algo que às vezes tem sido raro no cinema mundial. Fora isso, manda uma mensagem de apoio ao movimento pela liberdade no Irã e informa sobre a participação do Ocidente na atual situação do país.

Também não há discussão sobre a Coppa Volpi de ator para Colin Firth, simplesmente impressionante como o professor inglês que sofre pela morte do companheiro, em A Single Man, de Tom Ford. É o melhor trabalho de Firth em anos e não havia concorrente à altura. Os diálogos espertos de Todd Solondz em Life During Wartime renderam-lhe merecidamente o Osella de roteiro. A direção de arte de Mr. Nobody também certamente era das mais complexas entre os longas da competição.

A grande e bem-vinda surpresa da noite foi o Prêmio Especial do Júri para o delicioso Soul Kitchen, de Fatih Akin, um dos cineastas mais interessantes da atualidade. As comédias não costumam ser bem vistas em festivais de cinema, supostamente dirigidos a filmes sérios. Mas Akin é talentoso e injeta vida, graça e complexidade em sua obra.

Mais discutíveis mesmo são as premiações de duas atrizes italianas: Jasmine Trinca como atriz emergente por Il Grande Sogno e Ksenia Rappoport por La Doppia Ora. Primeiro, Jasmine não é exatamente desconhecida: ela fazia papel importante em O Quarto do Filho, de Nanni Moretti, oito anos atrás. Muito mais promissor é o garoto Kodi Smit-McPhee, de A Estrada, por exemplo. E Ksenia tem, no máximo, uma interpretação correta em La Doppia Ora.

Mais do que isso, é lamentável mesmo a ausência de prêmio para Lola, filme sensível e poderoso de um cineasta sempre instigante, Brillante Mendoza. Esta foi a grande mancada de um júri em geral bastante correto.

Veja abaixo a lista completa de vencedores do Festival de Veneza 2009:

Melhor filme ¿ Leão de Ouro: Lebanon (Israel)
Prêmio especial do júri: Soul Kitchen , de Fatih Akin
Melhor direção: Shirin Neshat, Women Without Men
Melhor ator: Colin Firth, A Single Man
Melhor atriz: Ksenia Rappoport, La Doppia Ora
Melhor ator ou atriz emergente: Jasmine Trinca, Il Grande Sogno
Melhor roteiro: Todd Solondz, por Life During Wartime
Melhor contribuição técnica: Sylvie Olivé, por Mr. Nobody
Melhor filme de estreia: Engkwentro, de Pepe Diokno
Controcampo Italiano: Negli Occhi, de Francesco Del Grosso e Daniele Anzelotti
Prêmio da mostra: Cosmonauta, de Susanna Nichiarelli

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