"O espectador sente quando vai ver um filme que é só para ganhar dinheiro", afirma ator

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Joseph Gordon-Levitt (Arthur) é o braço direito de Leonardo DiCaprio (Dom) no filme A Origem
Joseph Gordon-Levitt está em alta em Hollywood. Depois da comédia romântica 500 Dias com Ela , o ator de 29 anos deixou de ser apenas o queridinho dos indies (de filmes como Brick e Stop-Loss ) para virar um dos nomes mais quentes da indústria. Em A Origem ele interpreta Arthur, o homem responsável pela logística da equipe de Dom Cobb (Leonardo DiCaprio), que invade os sonhos das pessoas para roubar de seu inconsciente segredos úteis na espionagem industrial.

Gordon-Levitt é o dono das cenas de ação mais espetaculares, andando por paredes e transitando por ambientes com gravidade zero. O jovem e articulado ator, que aguarda ainda o lançamento do drama Hesher , exibido em Sundance, e Live with It , comédia dramática produzida por Seth Rogen e Evan Goldberg (a dupla que escreveu Superbad – É Hoje! ), é um agitador cultural. Ele tem um site de projetos audiovisuais ( hitrecord.org ) aberto à colaboração de todos. Cheio de elogios ao diretor Christopher Nolan, o ator afirma, porém, que os rumores de que vai fazer Batman 3 são apenas rumores:

No set, Christopher Nolan correspondeu a suas expectativas?

Sim. Ele sempre prioriza a habilidade dos atores de ter um sentimento genuíno, uma emoção verdadeira. Eu estava fazendo essas cenas em que a gravidade fica como num sonho, havia esses sets colossais que giravam, com cabos. Mas, mesmo no meio disso, ele fazia questão de tirar um momento para checar se ele e eu estávamos na mesma página, se eu sabia sobre o que a história falava, onde o personagem estava. Acho que não importa quão bacana seja o espetáculo, se não há uma conexão humana honesta, é chato. E acho que é isso que você tem em muitos dos filmes de ação de Hollywood. Eles têm aqueles efeitos incríveis, mas não têm o coração e o cérebro para contar uma história de forma sincera.

Sobre as cenas de ação:
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Sobre as cenas de ação: "Machucava bastante e eu sentia dor no fim do dia. Mas valeu a pena"
Quando você leu o roteiro e viu quanto você teria de fazer, ficou em dúvida se conseguiria?

Nenhuma dúvida. Tudo o que eu mais queria era fazer tudo de verdade. E eu disse isso a eles. Numa das primeiras reuniões que eu tive com Chris depois que ele me ofereceu o trabalho, ele e o coordenador de dublês me mostraram maquetes dos sets que giravam, onde os cabos ficavam pendurados. E me disseram: Vai ser difícil, pouco confortável e chato às vezes. E eu disse: Quero fazer tudo e nunca reclamarei. Chris disse: Vamos escrever isso! Mas eu nunca reclamei. Só há uma cena, que dura menos de um segundo, que um dublê fez. Ele estava lá todos os dias, mas eu acabei fazendo tudo. Houve esta única cena que eles não me deixaram fazer, porque era um pouco perigosa demais. Mas todo o resto eles me deixaram fazer. Eu amei. Foi difícil, a coisa mais difícil que eu fiz na minha vida fisicamente. Machucava bastante, e eu sentia dor no fim do dia. Era como um atleta depois de um jogo, eu precisava de gelo. Mas valeu a pena.

Qual foi essa cena?

É uma em que eles deslizam pelo hall em direção a uma porta. Eu a fiz parcialmente, mas eles não queriam que eu me chocasse contra uma superfície tão dura. Mas faço questão de dizer que, embora eu tenha feito quase tudo, houve essa tomada em que foi o dublê. Porque conversei muito com os dublês e é comum que o ator diga que fez tudo sem ser verdade. Aí os dublês não levam o crédito porque o ator quer dizer que foi ele que fez. Quero frisar que o dublê Andy fez essa cena. Mas o resto sou eu.

Este filme fala do poder da imaginação e das ideias. Você acha que isso se aplica aos filmes em geral?

Acho que há um bom paralelo entre sonhos e filmes. Porque os sonhos são criações. Quando durmo à noite e sonho, parece que estou num terraço, conversando com você, e há árvores logo ali. E estou no meio disso tudo. A verdade é que as coisas não estão ali, você está criando tudo isso. E quando você está conversando com alguém no sonho, está na verdade falando consigo mesmo. Você está escrevendo e protagonizando uma cena inteira, como se faz num filme. Eu tenho uma companhia de criação coletiva chamada Hit Record, em que convido pessoas do mundo inteiro a colaborar conosco em nossos projetos. E muitas pessoas dizem: Ah, mas eu não sou criativo. E não é verdade. Todo ser humano é criativo. E a prova é que vamos todos dormir à noite e sonhamos, mesmo quem não se lembra dos sonhos – eu mesmo não costumo me lembrar. Todos sonham. Todos temos essa capacidade de ser criativos.

No longa Joseph Gordon-Levitt fresponsável pela logística da equipe que invade os sonhos das pessoas
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No longa Joseph Gordon-Levitt fresponsável pela logística da equipe que invade os sonhos das pessoas
Se todos somos criativos, por que há tantos remakes, filmes baseados em outras obras, em quadrinhos?

Porque muitas pessoas que fazem filmes priorizam o dinheiro e têm uma visão de negócios. Eles veem risco, custo, coisas assim que você aprende na escola de administração de empresas. Nunca fiz administração de empresas, mas sei que há certas fórmulas econômicas para administrar um negócio e ganhar dinheiro. Então muitos dos filmes que vêm de Hollywood são feitos com essa mentalidade. E uma coisa extraordinária em A Origem e Christopher Nolan é que ele fez um filme tão bem-sucedido, que foi O Cavaleiro das Trevas , que teve a permissão para fazer o que quisesse. Ele teve permissão de seguir seu coração e seus desejos como artista e pessoa criativa. E o resultado é bonito por esse motivo, por ser uma expressão genuína do que ele sente e do que o intriga em ser humano, estar vivo, em sonhar. Acho que o público percebe. O espectador sente quando vai ver um filme que é só para ganhar dinheiro. E quando vai ver um filme de Christopher Nolan, sente o oposto. Por isso amo seus filmes.

O que diria a algumas pessoas que afirmam que o filme é complicado demais para o público?

Acho que essa atitude cínica é ignorante e esnobe, “as massas não vão entender”. Claro que vão. De quem você acha que está falando? Essas mesmas massas vão aos filmes estúpidos e reviram os olhos. Eles pagam, assistem, divertem-se, comem pipoca, mas eles sabem que é bobagem de Hollywood. Mas também sabem, quando veem O Cavaleiro das Trevas , este é um filme de verdade. E acho que é isso que vai acontecer com A Origem .

Depois de 500 Dias com Ela , você ficou mais conhecido. Como lida com a fama?

Amo fazer filmes e, quando você está num filme que faz sucesso, você tem oportunidade de fazer mais filmes. Então fico feliz.

Você já fez filmes como diretor. Dirigir é divertido?

Dirijo coisas o tempo todo no HitRecord , dirigi um curta chamado Sparks . Um dia talvez eu dirija um longa. Estou pensando nisso.

Planeja trabalhar com Christopher Nolan novamente?

Adoraria!

Veja abaixo o trailer de A Origem :

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