José Padilha: ¿Se o filme fizer Serra e Dilma discutirem segurança pública, já vou me sentir feliz¿

Diretor de ¿Tropa de Elite 2¿ fala sobre a temática que seu novo filme aborda de forma bastante realista

Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro |

Logo ao chegar na coletiva de imprensa organizada para divulgar a continuação de “Tropa de Elite”, o filme nacional mais aguardado do ano, José Padilha pede aos jornalistas: “Vamos deixar a pirataria de lado, que é melhor. Prefiro falar de cinema”.

São mais de 200 jornalistas – inclusive da imprensa internacional - em uma das salas de exibição do cinema São Luiz, no Rio. O diretor, ao lado do elenco do filme, refaz os cálculos do lançamento em cadeia nacional, marcado para esta sexta-feira (8). “Lançamos o filme em Paulínia na quarta com o número de 636 salas. Mas os donos de cinema se empolgaram. O número mudou. Vamos estrear na sexta em 661 salas em todo o País. É o maior lançamento da história do cinema nacional”, afirma.

Em cerca de uma hora de bate-papo, Padilha comenta a tranquilidade que o cerca e a forma como espera que seu filme seja encarado pelo público e, sim, também pelos políticos. “Nem o Serra nem a Dilma abordam segurança pública. Se o filme fizer algum dos dois discutir isso, já vou me sentir muito feliz”, diz.

George Magaraia
José Padilha: "O filme não traz nenhuma novidade. Me diz qual foi a novidade que você viu no filme e nunca ouviu falar?"

A seguir, os melhores momentos da coletiva.

CONTINUAÇÃO DA SAGA .
“Não vou fazer nova seqüência. Vou fazer outros filmes. A história desses personagens termina aqui com o ‘Tropa 2’. Tenho outro projetos em mente, mas não um ‘Tropa 3D’.”

TEMÁTICA REGIONAL .
“Não faço um filme que pode ser rodado em qualquer lugar. Tem história que só deve ser contada se passar em Berlim ou Buenos Aires. Isso é que torna aquele filme universal. São as relações humanas ali presentes que se conectam com o público de qualquer lugar. É a identificação do ser humano com o que contamos. É o caso do ‘Tropa’ também.”

SEGURANÇA PÚBLICA .
“O Datafolha fez uma pesquisa entre os eleitores, antes do primeiro turno, e constatou que o tema segurança pública é o mais importante para a população. Há cerca de três ou quatro anos, o Rio teve uma média de 200 autos de resistência por mês. Nos Estados Unidos, com uma população muitíssimo maior, esse número é registrado em um ano. Só isso já indica o quanto séria é a situação na cidade do Rio.”

VISÃO DOS POLÍTICOS .
“Nem o Serra nem a Dilma abordam segurança pública. O partido do Serra ficou oito anos do governo e não fez nada para mudar isso. O PT está acabando seus oito anos de governo também sem alterar nada. Ninguém formulou e pôs em prática um plano nacional de segurança. Dilma e Serra não têm o que falar sobre o assunto. Dilma fala de UPP, mas UPP é questão local, de governo estadual, não é plano federal. Se o filme fizer algum dos dois discutir segurança pública, já vou me sentir muito feliz”

ANSIEDADE COM ESTREIA .
“Sabe Romário indo cobrar pênalti? Estou igual a ele, sem o menor frio na barriga. Tranquilo, tranquilo. Não que eu seja pouco agitado. Na ilha de edição ou no set, fico mais ansioso. Depois que eu vi que já

tinha o filme que eu queria, não teria motivo para me preocupar mais. É o primeiro ‘Tropa’ que realmente vai estrear, né, já que o anterior estreou apenas nos camelôs.”

MERA COINCIDÊNCIA .
“Tem um deputado Federal do DEM de Brasília que também se chama Fraga, como o do filme. Me mandou até carta dizendo que não tem nada a ver com o personagem... O Marcelo Itagiba, do Rio, também ficou preocupado e saiu falando que não era ele retratado no filme... O que eu digo é que é um filme de ficção. O governador do filme não existe. Assim como ele é todos os governadores. O deputado miliciano que tem programa de TV não é o Wagner Montes, me inspirei mais nestes ‘Nadinhos’ da vida.”

ASSUNTOS DEBATIDOS .
“O filme não traz nenhuma novidade. Me diz qual foi a novidade que você viu no filme e nunca ouviu falar? Tem milícia no Rio? Tem. Político eleito com ajuda da milícia? Tem. Deputado federal eleito pela milícia? Tem. Milícia financiando campanha eleitoral? Tem. A polícia é violenta? É. Qual é a novidade? Nenhuma.”

IMAGEM DO RIO .
“Tem alguém que me perguntou certa vez se não acho que meus filmes sejam ruim para o turismo na cidade do Rio. Não acho que temos que enganar os outros, porque aí estaremos enganando a nós mesmos. Minha obrigação é com a ética com o público.”

FORÇA DE EXPRESSÃO

“O cinema é uma força de expressão poderosa. É ótimo poder usar todos os recursos disponíveis em termos técnicos para criar um espaço de discussão sobre um tema tão importante. Mas repito: o que tem neste filme que as pessoas não sabem?”

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