Jim Carrey é um favorito do público infantil

Desde "Ace Ventura" adorado pelas crianças, ator investe em filmes específicos para elas

Marco Tomazzoni, iG São Paulo |

Divulgação
Jim Carrey em "Ace Ventura - Um Detetive Diferente", de 1994: o início de tudo
Jim Carrey se envolvendo em grandes confusões com animais? Não, não é "Ace Ventura – Um Detetive Diferente", o primeiro grande sucesso do comediante com rosto de borracha, em 1994, mas bem que poderia ser. Ao longo da carreira, o ator se arriscou com sucesso em papéis dramáticos, mais sérios, mas foi fazendo caretas que ele ganhou prestígio, dinheiro e fama.

A habilidade até pode arrancar risadas de gente grande, só que há muito a indústria e o próprio astro se deram conta que outro público se divertia, e muito, com isso. O resultado é que, aos 49 anos, Jim Carrey estrela mais uma produção infantil, "Os Pinguins do Papai" .

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Pensando bem, ele nunca fugiu muito disso. Depois de um início se arriscando em stand-up comedy no Canadá, topando papéis secundários e filmes com gosto duvidoso (não dá para esquecer "Procura-se Um Rapaz Virgem", de 1985), Carrey aterrissou em "Ace Ventura", único longa-metragem até hoje em que recebe créditos como roteirista. Ali nasciam as características, ou o personagem, que acompanham o ator até hoje – gestos exagerados, caretas, vozes estranhas e muita excentricidade. Foi um estrondo: custou apenas US$ 11 milhões (R$ 17,1 mi) e faturou mais de US$ 107 milhões (R$ 167,2 mi) nas bilheterias.

Todo mundo riu e foi aos cinemas, inclusive as crianças. Afinal, o que há de maldoso em um filme cujo protagonista é um detetive de animais (!) meio palhaço, defensor do meio ambiente, que precisa recuperar um golfinho desaparecido? Prato cheio para as matinês, tanto que um ano depois a sequência, "Ace Ventura 2 - Um Maluco na África", feita às pressas, teve desempenho ainda melhor: embolsou US$ 212 milhões (R$ 331,3 mi).

É verdade que, nessas alturas, Carrey já havia virado um ícone em tempo recorde – em um ano, já estava com uma estrela na Calçada da Fama. Além de "Ace Ventura", chegaram às telas em 1994 "O Máskara" e "Debi & Lóide - Dois Idiotas em Apuros", provavelmente os dois maiores sucessos do ator, uma combinação de crítica, bilheteria e aclamação popular. O primeiro, que também fez de Cameron Diaz uma estrela, teve identificação imediata com o público infantil, tanto que pouco depois deu origem a um desenho animado.

"Debi & Lóide", mesmo que contaminado pelo humor politicamente incorreto dos irmãos Farrelly, teve destino idêntico: foi parar nos programas matutinos. Afinal de contas, embora houvesse referências a sexo e piadas pesadas, caretas e escatologia conseguem atravessar diferentes faixas etárias. Investimento certeiro, portanto.

Carrey ajudou a construir o mico que foi "Batman Eternamente" em 1995 e, dois anos depois, voltou a agradar família inteiras com "O Mentiroso". Mais uma vez, a história tinha um pé no infantil. O advogado interpretado pelo ator não consegue mentir por 24 horas devido a um pedido de aniversário do filho. Piada atrás de piada que leva, enfim, a uma lição de moral.

A partir daí, Carrey investiu na carreira dramática, deixando sua zona de conforto. Um novo passo que teve reflexo em sua filmografia: o ator passou a apostar em projetos dedicados especialmente às crianças. "O Grinch" (2000), "Desventuras em Série" (2004) e "Os Fantasmas de Scrooge" (2009), dois deles específicos de Natal, faturaram alto e, embora não tenha sido lá muito bem recebidos pela crítica, conquistaram o público alvo.

O que não quer dizer que os outros filmes de Jim Carrey não tenham apelo junto aos pequenos. "Todo Poderoso" (2003), "As Loucuras de Dick & Jane" (2005) e "Sim, Senhor" (2008), para citar alguns, foram indicados ao Kid's Choice Awards, premiação norte-americana do canal Nickelodeon na qual os vencedores são escolhidos pelas crianças, em voto popular. Carrey é um veterano da festa – recebeu 11 indicações desde 1995 e ganhou seis.

null "Os Pinguins do Papai" , adaptação de um clássico infantil norte-americano, chegou para avisar que a maré pode ter mudado. Há anos sem emplacar um sucesso, Carrey parece ter escolhido o caminho fácil das caretas e do mundo infantil para voltar a dominar as bilheterias. Até uma viagem promocional pelo mundo, que incluiu uma escala no Rio de Janeiro nesta semana, envolveu a estratégia de divulgação. Mais do que confirmar que a capital carioca está no mapa de Hollywood, indica que o estúdio Fox e o próprio ator estão apostando suas fichas na comédia.

Até agora, no entanto, não deu certo. O filme teve desempenho modesto nos Estados Unidos e, aparentemente, depende do mercado internacional para conseguir dar lucro – não é por nada que até o Peru será visitado pelo ator. Sem olhar o assunto por esse aspecto, Carrey prefere falar do mérito dos filmes infantis. "Não acho que vá mudar o mundo com isso, mas acredito que as pessoas possam se divertir por algumas horas", disse o ator em entrevista à Associated Press, sobre seus trabalhos no ramo.

"Me sinto com muita sorte por ver que um monte de coisas que fiz estão se reapresentando sozinhas geração depois de geração", continuou ele, agora à revista SheKnows. "Criacinhas ainda vêm falar comigo sobre Ace Ventura e o Máskara. Vou ter 90 anos e isso vai continuar. É um ótimo lugar para se estar."

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