Jennifer Aniston, atriz de uma nota só

Em quase 20 anos de carreira no cinema, a estrela de "Friends" tornou-se especialista em comédias românticas

Marco Tomazzoni, iG São Paulo |

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Jennifer Aniston em "Esposa de Mentirinha": foto pode ilustrar qualquer outro filme da atriz
O filme "Esposa de Mentirinha" estreia nesta sexta-feira (04) e marca mais uma comédia romântica na carreira de Jennifer Aniston, que há pouco completou 42 anos. Até aí, nenhuma novidade: dos 23 longas-metragens em seu currículo, apenas três – isso mesmo, três – não são comédias, romances ou comédias românticas. Isso talvez já bastasse para tirar algumas conclusões, mas a relação de Aniston com seus filmes é ainda mais profunda. Os nomes, profissões e penteados mudam, mas os personagens continuam sempre os mesmos. Ou melhor, sempre o mesmo: a Rachel da série "Friends".

Aniston nunca conseguiu se desvencilhar da imagem que criou na TV norte-americana ao longo de uma década, entre 1994 a 2004. A garçonete que virou profissional da moda, em um vai-não-vai com o paleontólogo apetadado Ross (David Schwimmer), transformou-se em queridinha do público e, talvez por isso, fez da atriz a única dos seis integrantes do elenco a ter uma carreira bem-sucedida no cinema. Todos, porém, viram seus salários pularem de US$ 25 mil para US$ 1 milhão por episódio até o programa chegar ao fim, em 2004.

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Jennifer Aniston em "Paixão de Ocasião", de 1996, seu primeiro papel como protagonista
Nas telonas, desde o início Aniston emulava Rachel, mesmo sem querer. O terror "O Duende", de 1993, nem conta – é tão trash que nada pode ser levado a sério. Os primeiros papéis de destaque vieram em "Alma de Poeta, Olhos de Sinatra" e "Nosso Tipo de Mulher", ambos de 1996, quando já estava consagrada em "Friends". Foi só no ano seguinte, no entanto, em "Paixão de Ocasião", que ela interpretou sua primeira protagonista, com direito a nome de destaque e foto sozinha no cartaz. Os trejeitos do personagem da série foram transpostos para o filme, mas a simpatia pela atriz não parou de crescer.

Outros longas vieram – "A Razão do Meu Afeto", "Como Enlouquecer seu Chefe" – e, em 2000, deu o passo que a fez tornar-se namoradinha da América: virou mulher de Brad Pitt. A beleza e carisma do casal, fotogênico até dizer chega, estamparam dezenas de capas de revista e, provavelmente por influência do marido, Aniston tentou virar uma atriz séria. Não conseguiu.

Primeiro experimentou o drama "Rock Star" (2001), um fiasco milionário em que interpretava a namorada do roqueiro em ascensão Mark Walhberg. O filme custou US$ 57 milhões e não levantou nem metade nas bilheterias – US$ 19 milhões no mundo inteiro. Na sequência, tentou ficar feia como a mulher insatisfeita de John C. Reilly no independente "Por Um Sentido na Vida" (2002). Uma comédia romântica, claro. Desprovida de glamour, a personagem tentava esquecer sua rotina medíocre ao lado de Jake Gyllenhaal. Vieram críticas positivas – suas melhores até hoje –, uma ou outra indicação a prêmio, mas nada representativo como um Globo de Ouro ou Oscar.

Ela seguiu em frente. Sem arriscar, encarnou Rachel mais uma vez e estrelou duas comédias ("Todo Poderoso", "Quero Ficar com Polly"), grandes sucessos que cristalizaram seu salário na casa dos milhões.

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Aniston no thriller "Fora de Rumo" (2005): mudança de papel, com críticas negativas
Com o fim de "Friends", veio o divórcio de Brad Pitt. Trocada por Angelina Jolie, viu sua vida esmiuçada nas revistas de fofoca. Virou uma traída célebre. O próximo trabalho, coincidência ou não, foi seu maior desafio até então. Em "Fora de Rumo" (2005), primeiro filme da Weinstein Company, Aniston engata um caso com o executivo interpretado por Clive Owen e os dois são chantageados por Vincent Cassel. Há cenas de sensualidade extrema, ela sofre um estupro, tensão e medo prevalecem. Ao invés de elogios pela coragem e entrega, choveram críticas. Caricata, Aniston mostrou como atriz dramática ser uma ótima comediante (coisa que, de fato, nunca foi).

A partir daí, ela desistiu. Deixou de sair de sua zona de conforto, não fez absolutamente nada relevante e sua conta bancária vai muito bem, obrigado. Em 2007, ficou em décimo lugar num ranking da revista Forbes das mulheres mais ricas do entretenimento, atrás de gente como Oprah Winfrey, J.K. Rowling, Madonna e Julia Roberts. Na época, sua fortuna era estimada em US$ 110 milhões.

Em meio a tudo isso, seu público permaneceu fiel. Até hoje, seus filmes faturaram no total quase US$ 2 bilhões nas bilheterias mundiais. "Dizem Por Aí", "Separados pelo Casamento", "O Amor Pede Passagem", "Marley & Eu", "O Amor Acontece", "Caçador de Recompensas"... A lista é grande, e continua. Os próximos projetos da atriz, "Horrible Bosses" e "Wanderlust", também são comédias românticas e a produtora fundada por ela, a Echo Films, não deve investir em gêneros diferentes. Nessas alturas, Aniston já virou quarentona e está perto de comemorar duas décadas como Rachel. Quase 20 anos interpretando o mesmo personagem.

O pai dela vive uma história parecida. O ator John Aniston está desde 1985 na novela "Days of Our Lives", um dos programas mais longevos da televisão mundial – na qual Joey (Matt LeBlanc), de "Friends", trabalhava –, e não obteve reconhecimento por nada em sua carreira além disso. Se continuar assim, Jennifer Aniston vai obedientemente seguir os passos do pai. Com os bolsos cheios, mas vai.

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