"Jean Gentil" encerra competição latina em Gramado

Filme da República Dominicana faz reflexão social através de professor desempregado

Marco Tomazzoni, enviado a Gramado |

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O dominicano "Jean Gentil", que dá nome ao filme
Sem concorrentes brasileiros, a competição do Festival de Cinema de Gramado 2011 chegou ao fim na noite de sexta-feira (13) com o último longa-metragem latino, "Jean Gentil", da República Dominicana. Dirigido e escrito por Israel Cárdenas e Laura Amelia Guzmán, o filme segue o personagem do título, que se confunde com o ator de mesmo nome, na busca por um trabalho.

Ex-professor de francês, inglês e creole, Jean perambula pelas ruas de Santo Domingo em entrevistas de emprego, sempre com a mesma camisa azul, gravata e calça social. Perde o apartamento onde morava e, desiludido, com a vida embalada em pacotes debaixo do braço, parte para o interior. Lá, as coisas também não dão muito certo, em parte por sua personalidade rígida – tímido, católico fervoso, vive em diálogos internos com Deus.

A procura chega ao extremo quando Jean viaja para uma região isolada da ilha, encontra uma cabana abandonada e começa a viver do que a natureza lhe dá.

Naturalista, sem trilha sonora, "Jean Gentil" se aproxima, de certa forma, das premissas celebrizadas pelo cinema iraniano, onde um conflito trivial dá origem a uma jornada que conduz o resto da história, em ritmo lento. Aqui, no entanto, a reflexão social é bem mais aguda – um professor desempregado numa nação caribenha abatida pela pobreza –, embora o desfecho seja desesperançoso da mesma forma.

À tarde, o festival promoveu a reprise do mexicano "A Tiro de Piedra", agora numa projeção em película. Exibido no domingo em DVD, numa cópia com a marca d'água de um instituto de cinema dominando o centro da tela, o longa padeceu do mesmo problema que a maioria dos competidores latinos – os rolos em 35mm não chegaram a tempo ao Brasil e o festival mostrou os longas como pôde, ou seja, em DVD de baixa qualidade.

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Gabino Rodríguez em "A Tiro de Piedra"
Baseada num conto das "Mil e Uma Noites", a história é centrada em Jacinto (Gabino Rodríguez), jovem pastor de cabras no interior mexicano. Com nenhuma perspectiva de melhora, numa cidadezinha desértica sem nem garotas para conhecer, Jacinto encontra no meio da areia o chaveiro de um lugar em Oregon, nos Estados Unidos. Influenciado por um sonho recorrente em que encontra uma caixa enterrada na neve, acredita que o objeto é um sinal e decide atravessar a fronteira.

Filmado boa parte do tempo com câmera na mão, "A Tiro de Piedra" coloca o rapaz em situações extremas para chegar a seu destino, aonde vai com fé cega, mesmo sem dinheiro, roupas e só falando espanhol. O realismo do roteiro, escrito pelo diretor Sebastián Hiriati e pelo ator principal, é contrastado pelo clima mágico de sonho e por um certo surrealismo das cenas. A trilha sonora forte, pontuada por instrumentos de sopro, termina por criar uma atmosfera própria e curiosa.

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