Javier Bardem e cineastas pedem tratado contra a pirataria

Segundo ator, mais de 90% das pessoas que trabalham na indústria cinematográfica tem problemas financeiros

Reuters |

Getty Images
Javier Bardem no Oscar 2011
O ator espanhol Javier Bardem e vários cineastas fizeram um apelo aos internautas na terça-feira (19) para que apoiem os setores de produção cultural criativa que lutam para sobreviver à era da pirataria digital, evitando fazer downloads ilegais de filmes e música gratuitos.

O diretor de cinema Iain Smith, o produtor egípcio Esaad Younis e o produtor e diretor indiano Bobby Bedi se uniram a Bardem para lançar um pedido por um novo tratado global para proteger os direitos dos atores e criadores de conteúdos audiovisuais.

"Mais de 90% das pessoas que trabalham no setor de cinema enfrentam problemas sérios para pagar seus aluguéis, suas contas e até mesmo comer" disse Bardem, premiado com o Oscar de melhor ator coadjuvante por "Onde Os Fracos Não tem Vez" (2007). "A remuneração é crucial, não para mim, mas para os 90% que enfrentam problemas sérios para ganhar a vida."

Bardem disse em coletiva de imprensa que, diferentemente do que acontece com diretores, roteiristas e músicos, os direitos dos atores não são protegidos pelas leis internacionais atuais de direitos autorais. "Nós, atores, contribuímos com outra coisa. Em certo sentido, somos autores."

"As pessoas pensam que estão prejudicando o produtor que viaja de jatinho particular ou tem cinco piscinas ou o ator de Hollywood com três mansões em cada cidade", comentou sobre as pessoas que baixam filmes na Internet sem pagar. "Elas se enganam. Estão prejudicando pessoas que mal conseguem ganhar a vida."

Graças à tecnologia digital, tornou-se fácil e barato baixar novas obras culturais instantaneamente em qualquer parte do mundo. "Isso permite o roubo de nosso produto de alta qualidade. Só que isso não é visto como sendo roubo", disse Bardem.

"PESADELO DE HOLLYWOOD"

Iain Smith, produtor nascido na Escócia cujas obras incluem "Sete Anos no Tibete", disse que o sonho de Hollywood se tornou um "pesadelo de Hollywood". "A pirataria é uma ameaça enorme. Ela já provocou uma perda maciça de receita à indústria cinematográfica americana e a outras", afirmou ele, estimando que apenas a indústria do cinema dos EUA perdeu 25 bilhões de dólares no ano passado.

"Avatar" já foi baixado ilegalmente 16,5 milhões de vezes, seguido por "Kick Ass - Quebrando Tudo" (11,4 milhões de vezes), ao mesmo tempo em que a venda de ingressos para o cinema vem caindo, disse Smith. "O público quer magia, mas a magia tem um preço. É preciso que haja um contrato entre o dinheiro e a arte, o investimento e a criação."

Bobby Bedi disse que a tecnologia digital oferece uma oportunidade de desenvolvimento para o cinema. "Mas, se for mal utilizada, pode ser um problema imenso para nós. A pirataria é a maior maldição de meu setor", disse ele.

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