Iraniana mistura realismo e poesia em retrato das mulheres de seu país

VENEZA ¿ As mulheres iranianas demonstraram recentemente, contra todas as expectativas e a visão que se tem do país, seu poder de resistência nos recentes protestos contra a reeleição de Mahmoud Ahmadinejad. É sobre a luta feminina desde a década de 1950 o filme ¿Women Without Men¿ (Mulheres sem homens), estreia da artista plástica Shirin Neshat na direção de longas-metragens, exibido para os jornalistas na noite desta terça-feira (08), dentro da competição do 66º Festival de Veneza.

Mariane Morisawa, enviada especial a Veneza |

Divulgação
"Women without Men" retrata golpe de estado que reconduziu o xá ao poder no Irã

A ação se passa em 1953, quando um golpe de Estado liderado pelos Estados Unidos e apoiado pelo Reino Unido derrubou o primeiro-ministro Mohammad Mossadegh, democraticamente eleito, e reconduziu o xá ao poder. Tais eventos seriam determinantes na revolução islâmica promovida pelo aiatolá Khomeini em 1979, que resultaram no Irã de hoje. O destino das quatro mulheres do longa-metragem está, portanto, diretamente ligado às mulheres que saíram às ruas para protestar, como a estudante Neda Aghan Soltan, que terminou assassinada.

As personagens de Women Without Men são Fakhri, uma mulher descontente no casamento que precisa conter os sentimentos por uma antiga paixão; Zarin, uma jovem prostituta que se torna incapaz de ver o rosto dos seus clientes; Munis, proibida pelo irmão conservador de ouvir notícias no rádio; e Faezeh, que sonha em casar com o irmão de Munis e fica alheia aos protestos nas ruas, até sofrer a violência na mão de dois homens. Todas vão encontrar novos caminhos, libertando-se do conservadorismo, do preconceito e do machismo.

As ruas de Teerã, recriadas no Marrocos, ganham tons pálidos, quase sépia, enquanto o campo e a floresta onde se refugiam Fakhri, Zarin e Faezeh é repleto de cores. O xador (véu que as mulheres usam) é usado em imagens poderosas. Shirin Neshat, artista premiada na 48ª Bienal de Artes de Veneza, mistura realismo e poesia e consegue um belo resultado.

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