Irã adverte contra sucesso do filme "A Separação"
"É preciso sempre olhar esses festivais com discernimento", afirma porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano
Enquanto os fãs do cinema iraniano ficaram emocionados ao ver o diretor Asghar Farhadi receber o prêmio das mãos de Madonna em uma cerimônia em Los Angeles no domingo, o governo de Teerã, que mantém um rígido controle sobre a produção cinematográfica, mostrou menos entusiasmo.
"É preciso sempre olhar esses festivais com discernimento", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Ramin Mehmanparast, quando instado a comentar o filme, que também ganhou o Urso de Ouro no Festival de Cinema de Berlim e é cotado para o Oscar 2012 .
"Algumas vezes vemos que os que organizam esses festivais dão prêmios valiosos a filmes cujo tema central é a pobreza e as dificuldades de um povo. Isso não deveria fazer nossos artistas ignorarem os pontos positivos e as evidentes características de nossa nação a fim de ilustrar o tipo de coisa bem recebida pelos organizadores de tais festivais."
A história emotiva da dissolução de um casamento ganhou as plateias com seus diálogos naturais e tratamento dramático de temas como lealdade, classe e família, obtendo 100% de aprovação dos críticos no site norte-americano Rotten Tomatoes e 94% dos espectadores.
"Eu prefiro dizer algo sobre meu povo. Acho que eles são verdadeiros amantes da paz", disse Farhadi no Globo de Ouro, em um discurso de agradecimento que não teve nenhuma mensagem abertamente política.
Evitando o constrangimento do cineasta iraniano Abbas Kiarostami, que foi beijado por Catherine Deneuve quando aceitou a Palma de Ouro em Cannes em 1997, Farhadi não chegou nem mesmo a apertar a mão de Madonna, em conformidade com a lei iraniana que proíbe contato entre homens e mulheres que não sejam casados.
O sucesso crescente do filme internacionalmente deve renovar os temores de cineastas no Irã, cujos roteiros precisam ser submetidos ao Ministério da Cultura e Orientação Islâmica do Irã para aprovação. Vários cineastas foram detidos, encarcerados ou banidos.