Ingrid Guimarães: "Quando a piada é boa, todo mundo ri"

A atriz recebe elogios do público estrangeiro durante o 9° Cine Fest Petrobrás Brasil, em Nova York, e é comparada a Julia Roberts

Luciana Franca, enviada especial a Nova York |

Ismar Ingber/Divulgação
A atriz Ingrid Guimarães
Ingrid Guimarães foi interrompida no meio da entrevista no saguão do Tribeca Cinemas, em Nova York, logo após a exibição de "De Pernas Pro Ar", filme que participa do 9° Cine Fest Petrobras Brasil.

Duas irmãs polonesas queriam posar para uma foto ao lado da estrela recém-descoberta por elas - mas vista por mais de 3,5 milhões de espectadores nas telas brasileiras. "Você é muito engraçada", elogiou a estudante de administração Katarina Swiderska. "Nunca tinha visto um filme brasileiro. Gostei muito", emendou a maquiadora Amna Swiderska.

Exibido pela primeira vez fora do Brasil e com ingressos esgotados nas duas sessões do festival, o longa rendeu à atriz elogios de seus novos fãs. Ela chegou a ser comparada com as estrelas americanas Julia Roberts e Sarah Jessica Parker. "Uma mulher me falou: 'Você é a nossa Sarah Jessica mais gostosa'. Eu adorei", diverte-se Ingrid.

Rendeu também proposta de distribuir nos EUA a comédia de Roberto Santucci, que retrata uma mulher workaholic com pouco tempo para a família." Acabei de receber o cartão de alguém que quer distribuir o filme aqui porque disse ser a cara da mulher nova-iorquina", conta a atriz. Leia a entrevista ao iG .

iG: “De Pernas Pro Ar” teve duas sessões com ingressos esgotados no festival. Surpreendeu-se com a repercussão?
Ingrid Guimarães:
Na primeira sessão do festival, vi americanos, latinos e portugueses na plateia. Quando a piada é boa, todo mundo ri. Mas eu não tinha essa expectativa. O mais importante é poder apresentar um filme brasileiro que foge do que os estrangeiros conhecem do nosso cinema. Os filmes que vêm para cá são mais dramáticos, mais pesados, como "Cidade de Deus", "Central do Brasil". Muito americano me falou que eles não sabiam que no Brasil se fazia comédia tão boa. Fiquei feliz..

iG: Esse sucesso te motiva a tentar uma carreira internacional?
Ingrid Guimarães
: Nunca pensei, porque comediante não é o perfil de atriz [brasileira] que vem trabalhar nos Estados Unidos, não sei se tem esse espaço. Claro que eu gostaria, mas ao mesmo tempo estou muito feliz em fazer sucesso no Brasil. O país é tão grande e conseguir atingir tanta gente é tão bom. Recebi o convite para apresentar "Cócegas" (peça que está há dez anos em cartaz com Heloisa Périssé) aqui em Nova York, acho legal prestigiar a colônia brasileira.

iG: "De Pernas Pro Ar 2" vai ser rodado aqui em Nova York. Em que processo está a produção?
Ingrid Guimarães:
Está fechadíssimo. Vamos filmar em abril e maio, com o mesmo elenco. Como no final do primeiro filme a minha personagem fala que vai abrir lojas em Nova York com produtinhos sexuais brasileiros, vamos rodar algumas cenas aqui e depois em Paulínia (SP).

iG: Você é mãe e veio a Nova York a trabalho sem sua filha Clara [de 1 ano e 9 meses]. Vive a mesma angústia da personagem Alice?
Ingrid Guimarães:
Nunca fiquei tantos dias longe dela, fico um pouco mal. Sou uma workaholic. Gravei "De Pernas Pro Ar" quando ela tinha quatro meses. Eu estava amamentando e levei a nenê para o set. A Clara era a estrela do filme e não eu, tinha camarim para ela e eu parava de gravar de três em três horas para amamentá-la.

iG: Você tem planos de fazer outro gênero que não seja comédia?
Ingrid Guimarães:
Antes de falar que quero fazer um filme que não seja comédia eu quero fazer cinema. Já fiz outros filmes, trabalhei com o Roberto Bomtempo em "Depois Daquele Baile" (2005), mas fiz papeis pequenos. Considero "De Pernas Pro Ar" minha estreia porque é a minha primeira vez como protagonista. Me apaixonei por cinema, que tem a coisa artesanal do teatro, você pensa antes de fazer a cena, e tem a comunicação da televisão. "Cócegas" vai virar filme. Eu achava que de repente cinema não era para mim e foi. Não imaginava 3,5 milhões de espectadores. O mais legal é que grande parte desse público é das classes C e D. O teatro é caro, a minha empregada, por exemplo, não pode ir.


* A jornalista viajou a convite do 9° Cine Fest Petrobras Brasil

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