Incômodo e tristeza são marcas de "Não me Abandone Jamais"

Drama utiliza tema específico da ficção científica para discutir existência humana

Guss de Lucca, iG São Paulo |

Divulg
Keira Knightley, Carey Mulligan e Andrew Garfield no drama "Não me Abandone Jamais"
Se o incômodo de nem sempre encontrar respostas para a própria existência é parte do mistério de ser humano, qual seria o impacto de ter certeza absoluta da razão pela qual se está vivo? Essa é uma das muitas questões que podem surgir em "Não Me Abandone Jamais", filme baseado no livro homônimo de Kazuo Ishiguro, publicado no Brasil pela Companhia das Letras.

A trama acompanha três momentos específicos da vida de Kathy (Carey Mulligan), Tommy (Andrew Garfield) e Ruth (Keira Knightley), crianças criadas num internato britânico em que o bem-estar físico e as atividades artísticas são tratadas com demasiada importância, apenas um indício de que existem propósitos maiores naquele ambiente idílico, mas claustrofóbico – propósitos que não tardam a chegar aos personagens e permear toda suas vidas adultas.

Por motivos distintos, a rejeição de Tommy diante dos outros meninos – e seus acessos de fúria – despertam a atenção das duas amigas. Enquanto o interesse de Kathy pelo jovem é bloqueado por sua timidez, Ruth analisa a situação por outro ângulo e pauta suas ações de maneira mais prática e objetiva.

Unidos por suas lembranças da infância, os amigos seguem com suas vidas quase que guiados pelo destino traçado por uma sociedade abastada por avanços científicos. E é dessa passividade e ausência de questionamentos que surge um dos grandes desconfortos de "Não Me Abandone Jamais". A direção é de Mark Romanek ("Retratos de uma Obsessão"), que utiliza com sutileza artifícios da ficção científica para compor um drama com "D" maiúsculo.

Assista ao trailer de "Não Me Abandone Jamais":

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG