"Imortais" compensa história desconexa com efeitos visuais

Mostrando deuses mortais e atuações fracas, filme é desserviço àqueles que querem conhecer mais sobre a mitologia grega

Agência Estado |

Apenas dois filmes irão estrear nesta sexta-feira (30) dentro do circuito comercial, na antevéspera do réveillon. Nada mais natural, já que o movimento nos cinemas costuma diminuir nesta época do ano. Assim, o destaque da semana fica a cargo do longa-metragem "Imortais", dirigido por Tarsem Singh, também responsável por "Espelho, Espelho Meu", inspirado na fábula da Branca de Neve, com Julia Roberts no papel da Rainha e que deverá estrear em 2012. "Imortais" é produzido pela dupla Mark Canton e Gianni Nunnari, que também trabalhou no longa "300", com Rodrigo Santoro (2007).

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O ator Henry Cavill como o herói Teseu: personagem tem história modificada em "Imortais"
O filme segue a linha de "300", com personagens fortões e várias cenas sangrentas de batalhas. Também lembra "Fúria de Titãs" ao misturar deuses gregos e bestas mitológicas. O problema é que o roteiro não está minimamente preocupado em ser verossímil com a mitologia. O resultado é um apanhado de histórias e personagens que nunca tiveram nenhuma relação, mas que, na produção, parecem ser íntimos. Um desserviço àqueles que querem conhecer mais sobre a mitologia grega.

Na história, o Rei Hipérion (Mickey Rourke) declara guerra contra os gregos e planeja libertar os Titãs que estão presos no Monte Tártaro. Para isso, ele busca o arco de Epirus, forjado no Olimpo pelo deus da guerra, Ares. Para impedi-lo de achar o arco, Teseu, um plebeu, lidera um exército de rebeldes, além de contar com a ajuda de deuses do Olimpo, como Zeus e Atenas.

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Mickey Rourke como o Rei Hipérion em "Imortais"
O problema é que, na mitologia grega verdadeira, Teseu nunca foi plebeu e se tornou rei depois de matar o Minotauro no labirinto. Até há a cena da morte do Minotauro no filme, mas não é tão importante assim e, depois dela, Teseu não vira rei. Henry Cavill (o novo Super-Homem ) vive o papel de Teseu e Freida Pinto é a mocinha Faedra, um oráculo que é perseguido pelo rei Hipérion. Já a australiana Isabel Lucas encarna a deusa Atenas.

Apesar de já terem desempenhado bons papéis em outros filmes, a atuação dos atores se resume a poses e gritos de raiva contra o mundo. Até seria possível considerar o filme uma boa diversão, mesmo com os desvios das histórias originais, mas uma coisa é inconcebível: deuses como Zeus, Atenas e Poseidon são mostrados como fracos e passíveis de erros e, pasmem, mortais. Como deuses podem ser mortais?

Essa é uma pergunta que a trama não responde. Um deus mortal é algo inaceitável até mesmo para um filme como esse. O que não deixa de ser irônico, já que o título do filme é "Imortais". Tanta mudança nas figuras mitológicas faz lembrar o filme "Percy Jackson e o Ladrão de Raios" (2010), que altera, sem qualquer critério, feitos históricos.

Os efeitos especiais, em compensação, são bem-feitos. A vila onde vive Teseu, nas encostas do mar Egeu, é linda. Os cenários das batalhas, como o forte onde os gregos se abrigam para lutar contra o Rei Hipérion, também impressionam. Essa majestosa construção parece com o forte do Abismo de Helm, do filme "O Senhor dos Anéis - As Duas Torres" (2002).

O espectador que for assistir a Imortais esperando encontrar um filme semelhante a "300" deve sair decepcionado. O máximo que verá será um punhado de efeitos especiais em uma história sem pé nem cabeça.

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