Hugo Chávez deve comparecer à sessão de filme de Oliver Stone

VENEZA ¿ O presidente venezuelano Hugo Chávez deve comparecer hoje à sessão oficial de ¿South of the Border¿, documentário de Oliver Stone sobre seu governo e também sobre as lideranças esquerdistas na América do Sul ¿ incluindo o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. ¿Não posso dizer nem que ele vem nem que não¿, tentou escapar o diretor. Enquanto isso, o escritor e roteirista Tariq Ali confirmava com a cabeça que ele estará, sim, na exibição, na tarde desta segunda-feira no Lido de Veneza.

Mariane Morisawa, enviada especial a Veneza |

AFP

Oliver Stone no Festival de Veneza nessa segunda

Stone explicou, na coletiva de imprensa no final da manhã desta segunda, que ficava intrigado com a maneira como a mídia norte-americana tratava Hugo Chávez. Ele é muito popular na Venezuela, já saiu vencedor em vários processos eleitorais, a pobreza foi cortada à metade, a melhoria social foi grande. É uma mudança maravilhosa, disse.

Tariq Ali acrescentou: O foco desses governantes é transformar a política. Nos últimos dez ou vinte anos, apareceram movimentos sociais e novas organizações políticas que defendiam os mais pobres e, quando essas pessoas foram eleitas, realmente cumpriram as promessas. Isso aconteceu na Bolívia com Evo Morales, no Equador com Rafael Correa, no Paraguai com Fernando Lugo e de outra forma com Lula no Brasil e Michelle Bachelet, no Chile. Eles querem unificar a America do Sul, fortalecer o continente, é muito direto, não há nada sinistro nisso. Esse era o sonho de Simon Bolívar. A hostilidade a eles é simplesmente inexplicável. 

Oposição

O escritor paquistanês minimizou a oposição sofrida pelo presidente venezuelano em seu próprio território. Esses países sempre foram muito polarizados em termos de classe. E claro que as oligarquias não gostaram de ser derrotadas. E 90% da mídia venezuelana é contra Chávez, esta é a visão passada adiante. Queríamos explicar à América e à Europa que esse não é o único ponto de vista, afirmou.

Indagado sobre a visão do FMI (Fundo Monetário Internacional) nesses países, Oliver Stone disse que a organização não era muito popular nos países que visitei, porque desde os anos 1980 obrigou a uma agenda de privatizações e foi visto como braço da política liberal de Washington. Mais tarde, comentou sobre a resistência ao FMI pelo presidente Lula: Ele lutou, depois recuou, mas no fim acabou marcando posições firmes.

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