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Helena Ignez diz que Canção de Baal é cinema de guerrilha

GRAMADO ¿ Vestindo uma camiseta com o rosto de Jimi Hendrix, Helena Ignez traz no rosto as marcas dos 67 anos, boa parte deles dedicados à arte, mas uma energia de adolescente. Filmado sem patrocínio ou incentivos fiscais, ¿Canção de Baal¿ dá continuidade na noite desta segunda-feira (10) à competição de longas nacionais. ¿Havia uma urgência, a necessidade de fazer o filme naquele momento, não dava para esperar por editais¿, revelou a diretora e atriz. ¿É cinema de guerrilha.¿

Marco Tomazzoni |

Alessandro Rodrigues / Press Photo

Simone Spoladore e Helena Ignez divulgam "Canção de Baal" no Festival de Gramado

O longa é inspirado na primeira peça do dramaturgo alemão Bertold Brecht e tem o músico Carlos Careqa como protagonista. A história de cunho niilista e espírito anárquico acompanha Baal, entregue a orgias e ao álcool, alheio à sociedade, enquanto compõe poemas e canções. Para Helena, esse era sem dúvida um projeto louco, um experimento cinematográfico.

Viúva do revolucionário Rogério Sganzerla, ícone máximo do cinema marginal com O Bandido da Luz Vermelha, a diretora afirmou que a obra de Brecht permite discutir como se faz cinema, como se faz arte, e que é, inclusive, uma forma de se chegar à iluminação. O cinema poderia substituir as drogas, para se chegar ao sublime, porque traz essa energia que é a vida.

Além de amigos do Teatro Oficina, de Zé Celso, Helena trouxe parte dos colegas da peça Os Sete Afluentes do Rio Ota, que ficou quatro anos em cartaz no Rio de Janeiro, para integrar o elenco do filme. Entre eles, estão Beth Goulart e Simone Spoladore, que está em Gramado. A atriz contou que foi uma grande inspiração ver Helena dirigindo e que todo o processo aconteceu de forma bastante natural. Foi como beber água, a gente não parou para pensar muito.

Esse mesmo sentimento parece ter permeado a cena em que Spoladore aparece nua e ela, inclusive, fez questão de passar longe da polêmica reacendida por Pedro Cardoso no Festival do Rio no ano passado. A Helena até sugeriu que eu ficasse de calcinha e sutiã, mas achei que não ia ficar legal. Foi muito natural, nem parei para pensar.

Careqa aproveitou a deixa para falar também de homossexualidade, já que Baal propõe a liberdade sexual com homens e mulheres. Resolvemos fazer as coisas de maneira sutil, não declaradamente homo ou hetero. Acredito na sutileza e poesia, defendeu. Acho que essa discussão de nudez foi mais uma questão de ego do que estética. A nudez ou sexo sempre ficam em segundo ou terceiro plano em uma cena, o que importa é o amor, a ideia em pauta.

Uma coprodução com o Canal Brasil, Canção de Baal já foi exibido na televisão paga, mas ainda não tem previsão de chegar aos cinemas. Helena disse que no próximo ano o projeto deve participar de um edital da Petrobras para tentar um auxílio na distribuição e se mostrou esperançosa com a aceitação de seu trabalho. Acredito que Baal tem um determinado público, assim como qualquer filme. Vamos lutar nessa guerra tenebrosa que é a distribuição.

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