Harrison Ford é âncora azedo na comédia "Uma Manhã Gloriosa"

Filme coloca heroína "workaholic" entre guerra de egos de jornalistas veteranos

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Rachel McAdams é a produtora que precisa acalmar os egos de Keaton e Ford em "Uma Manhã Gloriosa"
"Uma Manhã Gloriosa" busca o charme das comédias dos anos 1940 e 1950 com diálogos acelerados, troca de farpas entre os opostos e uma irresistível heroína no centro. A heroína é o ingrediente que funciona melhor nessa mistura, pois há poucas atrizes mais adoráveis do que Rachel McAdams ("Sherlock Holmes") atualmente em Hollywood.

No longa-metragem, ela vive a produtora de TV Becky Fuller, uma "workaholic" que o público poderia até rejeitar, não fosse ela toda feita de boa vontade, dedicação e carinho por sua equipe. É a chefe que todo mundo pede a Deus. Por isso, quando surge a chance de uma promoção na emissora em que ela trabalha, em Nova Jersey, todo mundo aposta que a vaga só pode ser dela e torce por isso.

Primeira injeção de vida real: ao invés da promoção, vem a demissão sem motivo. Cheíssima de energia, Becky entristece, ainda mais porque não consegue emprego. Os dias passam sem novidades e os sermões da mãe (Patti D'Arbanville) só pioram o astral.

O entusiasmo e a persistência da produtora levam-na ao encontro de um programa matinal sem sucesso, o "Daybreak" – que, de vantagem, é realizado numa emissora de Nova York. No mais, Becky precisa lidar uma coleção de más notícias: o programa é antigo, a audiência cai em queda livre, a equipe está desmotivada e nenhum produtor tem esquentado a cadeira por ali.

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Rachel McAdams como a produtora "workaholic": atriz é uma das mais adoráveis em Hollywood
Na primeira reunião, a nova produtora já mostra que é bem mais do que uma jovenzinha sorridente. Na sequência, ela demite um dos âncoras e resolve contratar um grande nome – Mike Pomeroy (Harrison Ford).

Parece uma ideia maluca, afinal, Pomeroy é um jornalista veterano e premiado no mundo das grandes coberturas sérias, que passam longe da pauta do "Daybreak", firmemente plantada no mundo da celebridade e do exotismo. O veterano, no entanto, está encostado e precisa fazer alguma coisa antes do fim de seu contrato, senão terá um grande prejuízo. Ao alertá-lo sobre isso, Becky ganha pontos e consegue a fera.

Pomeroy tem fama de mau e faz jus a ela. Torna infernal a vida da produtora e de sua colega, a âncora Colleen Peck (Diane Keaton), que está há décadas no programa. A relação entre os dois apresentadores é tensa. Eles nem mesmo conseguem entender-se sobre quem dará o "até amanhã" final a cada edição.

O roteiro de Aline Brosh McKenna ("O Diabo Veste Prada") e a direção, a cargo de Roger Michell ("Um Lugar Chamado Notting Hill"), poderiam ter equilibrado melhor a equação trabalho/romance de Becky. Ela até tem um fã bonitão, o colega produtor Adam Bennett (Patrick Wilson), mas ele perde feio para o Blackberry da moça, que não para de tocar...

Se aliviasse um mínimo esse componente "workaholic" da protagonista, deixando-a respirar um pouco mais, o filme ficaria mais leve, solto e engraçado. Ainda assim, se "Uma Manhã Gloriosa" até certo ponto funciona, é mérito, portanto, de seu bom elenco, que tira o melhor proveito das situações. Há bons momentos dos veteranos Ford (nunca antes mais furioso) e Keaton, e da estrela em ascensão Rachel McAdams.

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