Grazi Massafera: 'Com meu jeitinho, dou minha interpretação'

Atriz conversa com o iG sobre o seu primeiro papel no cinema, na comédia 'Billi Pig', com Selton Mello

Marco Tomazzoni, iG São Paulo |

Grazi Massafera está completando uma transição lenta, mas segura em seu trabalho como atriz. De um reality show (que sempre tem dramaturgia), passou para as novelas e, na sexta-feira (dia 2), aterrissa nos cinemas do país com a comédia "Billi Pig", ao lado de Selton Mello e Milton Gonçalves entre os protagonistas. Grávida de seis meses, ela ainda não parece nada satisfeita: "Falta fazer muita coisa".

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Grazi Massafera em 'Billi Pig'

Em entrevista na tarde desta terça-feira (28) em São Paulo, Grazi falou sobre seu personagem no filme, Marinalva, uma aspirante a atriz no subúrbio do Rio, ansiosa pela fama, casada com um segurador fracassado (Selton) e que ouve conselhos de seu porquinho de plástico, o Billi do título. A inocência do papel permitiu que ele trouxesse memórias da infância ("aprendi muito cedo em casa a lidar com o riso, a gostar dos Trapalhões"), mas o fato de ser uma comédia, explicou, foi muito difícil.

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Grazi Massafera em 'Billi Pig'
"Estar do lado do Selton... É um nível muito alto de comédia, de trabalho de ator. Ao mesmo tempo se absorve muita coisa, mas eu travava de medo nos ensaios, nas improvisações: 'ai, será que falo isso?'. Contei com a generosidade de todos eles. Às vezes o Selton ou o Zé [José Eduardo Belmonte, o diretor] falavam para diminuir uma coisa, cortar outra, aparando as arestas. Foi tipo um mestrado (risos)."

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A comédia também é um gênero novo para Belmonte, e até por isso os dois não trabalharam juntos antes. Quando o diretor a convidou para seu filme anterior, "Se Nada Mais Der Certo" (2009), ela assistiu à estreia dele em longa-metragem, "A Concepção" (2005), uma história radical em que jovens de Brasília procuram criar uma sociedade alternativa, sem identidade, revolucionária (e explícita) até no sexo.

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Selton Mello e Grazi Massafera no filme 'Billi Pig'
"Eu choquei. 'Meu Deus, não quero trabalhar com esse cara, não'. Até aí, só via 'Sessão da Tarde', coisas assim na minha cidade, fiquei ressabiada. Daí comecei a namorar o Cauã [Reymond], que topou fazer esse filme. Comecei a frequentar os sets, vi a maneira como o Zé conduz tudo com paixão, sem vaidade, que acho que é o mais importante. Vi os outros filmes dele e comecei a gostar da ideia."

Sobre a preparação para "Billi Pig", claramente inspirado nas chanchadas da década de 1950, Grazi disse não ter tido nenhuma orientação específica de Belmonte, mas comentou ter assistido antes, por coincidência, a atrizes da era dourada de Hollywood, como Jennifer Jones e a sensualíssima Jayne Mansfield. "Acho que a Marivalda tem um pouco dela, desse tipo loira meio bagaceira. Vejo coisas e vou tentando, do meu jeitinho, dar minha interpretação."

Jeitinho que passa necessariamente por seu sotaque interiorano. Apesar de na TV quase anulá-lo, a atriz usa e abusa dele em "Billi Pig". Escondê-lo, porém, não é tarefa fácil. "O pior é improvisar sem o sotaque. Mas amo ele. Me traz muitas coisas boas, que estão na raiz, e acho que é o sotaque que sempre me puxa para esse lugarzinho que eu preciso quando me vejo nessa loucura que é esse meio."

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