Filmes brasileiros trocam a miséria pelo humor

Comédias estão entre as maiores bilheterias do cinema nacional nos últimos anos

Guss de Lucca, iG São Paulo |

Divulgação
Bruno Mazzeo e Sérgio Loroza em cena de "Cilada.com": comédia entra na briga pela bilheteria de 2011
A comédia ultrapassou a miséria como o foco do cinema nacional. É um movimento iniciado na década passada. De acordo com o Filme B, portal especializado no mercado de cinema no Brasil, dos dez primeiros colocados do ranking de filmes brasileiros entre 2000 e 2010, cinco são comédias - sendo "Se Eu Fosse Você 2" (2009) a primeira da lista.

Em 2011, o quadro deve pender para as comédias . No primeiro lugar das produções brasileiras mais vistas neste ano está "De Pernas pro Ar" , que já levou 3,5 milhões de espectadores aos cinemas. O filme estrelado por Ingrid Guimarães ganhará fortes concorrentes no gênero até dezembro. Entre eles, destacam-se "O Homem do Futuro" , com Wagner Moura , "Amanhã Nunca Mais", com Lázaro Ramos , e "Billi Pig", protagonizado por Selton Mello .

Outro grande lançamento que aposta nas piadas chega às salas brasileiras nesta sexta-feira (8 de julho). É “Cilada.com” , de Bruno Mazzeo e dirigido por José Alvarenga Jr (responsável pelas adaptações cinematográficas de "Os Normais"), originário do programa de TV "Cilada".

"O cinema brasileiro tem se reerguido em cima das comédias. Elas provocaram blockbusters e sempre levaram pessoas aos cinemas. 'Dona Flor e Seus Dois Maridos', que até pouco tempo era a maior bilheteria da história do cinema nacional , é uma comédia", afirmou José Alvarenga Jr em entrevista ao iG .

De acordo com o cineasta, o formato é atraente inclusive pelo custo de sua produção - não há tantos gastos como nos filmes de ação. "É um formato que você resolve com um bom texto e bons atores - e feito em cima de um ‘timing’. Num filme de ação, a necessidade de filmagem é maior, tem custo de efeitos especiais, por exemplo."

A comédia chegou a ser classificada com “gênero menor” do cinema - segundo Alvarenga Jr, algo propagado no Brasil nos anos 1960. "Houve um momento do cinema brasileiro em que surgiu a ideia de que o país não precisava de comédias, mas precisava se repensar. Ficou parecendo que para rir você precisava abrir mão do pensamento, e não é isso."

A comédia dos filmes de favela

Se os filmes que têm a miséria e a favela como temática ainda são uma tendência e as comédias estão em alta, o que dizer de uma produção que mistura os dois gêneros? É o que acontece com “Os Inocentes”, de Rodrigo Bittencourt, que tem estreia marcada para o primeiro semestre de 2012.

Na história, um adolescente de quinze anos, morador de uma favela fictícia, se apaixona por uma garota mais velha e, para impressioná-la, resolve se transformar no criminoso mais temido do morro - o que, para ele, é claramente uma missão impossível.

"É uma sátira dos chamados 'favela movies', um filme que brinca com papeis comuns nesse gênero, como o personagem do Fábio Assunção , que faz um jornalista loser que precisa entrevistar o traficante, mas tem medo de subir o morro", conta a produtora Mariza Leão ao iG .

A produtora, que também é responsável pelo sucesso "De Pernas pro Ar", disse que achou “curiosíssimo” o roteiro de Rodrigo Bittencourt e, por isso, resolveu bancar o projeto. Questionada sobre a possibilidade de ofender as pessoas que vivem em favelas, ela não mostrou preocupação.

"O filme não tem nada ofensivo. Ele não trabalha com esse tipo de valor, não desqualifica o universo onde ele se passa. Ele brinca, mas sem esse humor cáustico, sem trabalhar nessa linha do enfiar o dedo na ferida. É um filme mais poético, que aborda o universo da inocência desse garoto - daí inclusive o seu título."

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