Filme sobre imigrantes choca plateia nos EUA

Longa de José Joffily narra os bastidores da autorização de vistos para imigrantes ¿suspeitos¿

Valmir Moratelli, enviado a Nova York |

Divulgação
O ator americano David Rasche em cena do filme Olhos Azuis

Olhos Azuis é o filme mais polêmico da oitava edição do “Cine Fest Petrobras Brasil – NY”, que acontece na cidade americana. O longa, que já está em cartaz no Brasil há duas semanas, conta a história de Marshall (vivido pelo ator americano David Rasche), que é o chefe do Departamento de Imigração do aeroporto JFK, nos Estados Unidos. Ele está prestes a se aposentar e resolve se divertir com um grupo de imigrantes, complicando sua entrada no país apenas por diversão.

As humilhações morais, e até físicas, pelas quais os imigrantes passam, ao longo da história, tocam em cheio o público do festival – composto, em sua maioria, por brasileiros e outros latinos em geral. A cada desaforo de algum dos personagens, o público reage com comentários de indignação. Exibido na noite de quarta-feira (9), este é, até o momento, o longa que mais despertou a ira dos presentes e tem levantado discussões além das sessões nas salas de cinema.

As amigas cariocas Joy Ernanny e Cinthia Azevedo, que moram nos Estados Unidos há dois anos e meio, saíram da sessão travando um bate-papo caloroso. “Gostei muito do filme. Eu mesma passo problemas na imigração americana sempre que retorno para cá. Uma vez eles erraram meu nome com o da minha irmã no sistema, e o problema persiste para sempre. Sou chamada diversas vezes para a salinha”, conta Joy, jornalista, em referência à sala de controle de imigração para onde são encaminhados os “suspeitos” de quererem ficar em definitivo nos Estados Unidos.

Cinthia conta que também sofre com a burocracia americana, em nome da segurança nacional. “Meus pais são diplomatas, e por isso tenho visto diferenciado. Mas o pessoal da imigração sempre me questiona por isso. Sei que minha realidade é diferente da que é retratada no filme, tem gente que sofre muito para entrar”, afirma a jovem, estudante.

Já a americana Samantha Croussgry saiu da sala com os olhos marejados. “É um problema que precisa ser resolvido. Tem que haver fiscalização, mas não é com intolerância e preconceito. Isso não reflete o que é esse nosso país”, disse ela ao iG.

Pela receptividade do público, Olhos Azuis é um dos filmes mais requisitados para vencer no voto popular o prêmio dessa oitava edição do “Cine Fest Petrobras Brasil – NY”, que se encerra no próximo sábado.

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