Filme sobre Facebook faz estudantes vibrarem

Em cinema próximo à universidade em que estudaram os criadores do site, público bate palmas e vaia cenas

Natasha Madov, enviada a Cambridge, EUA |

Divulgação
Andrew Garfield e Jesse Eiseberg, protagonistas de "A Rede Social", em cena filmada no campus
Sábado, 9 de outubro, Cambridge, Estado de Massachusetts, Estados Unidos. A fila do cinema na Church Street quase chegava à esquina, algumas sessões esgotadas, mas eu havia conseguido meu ingresso para a última exibição daquele dia de "The Social Network" (no Brasil, "A Rede Social").

A procura era tanta que o pequeno multiplex tinha reservado duas de suas cinco salas para “o filme do Facebook”. Ele estava no topo das bilheterias naquela semana, sim, mas havia outra razão para sua popularidade exatamente ali: o cinema está localizado a menos de 100 metros de Harvard Yard, onde aconteceu boa parte da trama.

E se a proximidade geográfica já faria com que o cinema fosse o preferido da estudantada, não havia dúvida que a comunidade universitária estava ali em peso: a maioria da sala completamente lotada era de jovens de vinte e poucos anos, com suas mochilas pesadas e óculos de grau. Mas também havia ali casais de meia idade, talvez professores, talvez funcionários, provavelmente curiosos para ver se seriam retratados de alguma maneira na tela.

Acabaram os trailers, começou o filme. Uma piadinha maldosa com garotas da Universidade de Boston ganha algumas vaias, aplausos surgem quando aparece a porta da Kirkland House, o alojamento de Mark Zuckerberg (interpretado por Jesse Eisenberg), protagonista da história. Quando ele e seu amigo Eduardo Saverin (Andrew Garfield) saíram de um bar das redondezas, parte do público caiu na risada.

A platéia também se manifestou nas melhores tiradas do diálogo rápido e certeiro do roteiro de Aaron Sorkin. A história começa em 2003, quando Zuckerberg, após levar um fora, passa uma noite bebendo cerveja e criando um site para avaliar as alunas mais bonitas de Harvard. E se segue em uma sequência (muito bem dirigida por David Fincher) que alterna audiências judiciais e flashbacks, que conta o início do Facebook e as brigas entre seus criadores e investidores. 

Jesse Eisenberg está especialmente bem, imitando os maneirismos do protagonista, e consegue criar empatia com o público – o pobre nerd milionário que, na ânsia de ser aceito pelos colegas de faculdade, criou um império de bilhões de dólares. Quando ele reclama que, apesar de não ligar para dinheiro, ele poderia comprar a rua Mount Auburn inteira (a duas quadras de onde estávamos), pegar o exclusivo clube Phoenix (que aceitou seu amigo Eduardo, mas nunca o convidou para ser membro) e transformá-lo no seu quarto de ping-pong, fala diretamente a esses jovens que vivem a pressão de estudar na que é considerada a melhor universidade do mundo.

Quando sobem os créditos, a sala aplaude, não só porque "A Rede Social" é um belo filme, mas porque provavelmente muitos deles se viram retratados ali. 

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