haviam adiantado sobre a seleção, e deve contar pouco nas decisões do júri oficial. Bem intencionado, como sempre, Silva falhou mais uma vez." / haviam adiantado sobre a seleção, e deve contar pouco nas decisões do júri oficial. Bem intencionado, como sempre, Silva falhou mais uma vez." /

Filme de Sérgio Silva inaugura com pé esquerdo competição de longas nacionais

GRAMADO ¿ A competição nacional do Festival de Gramado começou na noite deste domingo (10) com o pé no freio. Estrelado por Marcos Palmeira, ¿Quase um Tango...¿, de Sérgio Silva, frustrou as expectativas de quem esperava um representante do ¿cinema gaúcho de qualidade¿, como os curadores http://ultimosegundo.ig.com.br/festival_gramado2009/2009/08/09/filmes+gauchos+e+documentarios+encabecam+competicao+de+longas+nacionais+em+gramado+7736063.htmlhaviam adiantado sobre a seleção, e deve contar pouco nas decisões do júri oficial. Bem intencionado, como sempre, Silva falhou mais uma vez.

Marco Tomazzoni |

A abertura oficial do festival, depois de uma apresentação da Orquestra da Unisinos, coube ao presidente do evento, Alemir Coletto, que fugiu à regra e, além de enaltecer parceiros e patrocinadores, criticou diretamente o Conselho Estadual de Cultura. O órgão foi um dos responsáveis por vetar a captação de recursos para o evento através da Lei de Incentivo à Cultura (LIC), já que antigas prestações de contas ainda não haviam sido homologadas pelo governo gaúcho.

Alessandro Rodrigues / Press Photo

Dira Paes com o Kikito nas mãos

Coletto rebateu afirmando que o conselho teria uma postura muito mais engrandecedora se atuasse em busca da valorização da cultura gaúcha e que, na ausência disso, se transforma em sinônimo de falta de objetivo e função, perdendo sua razão de existir. O clima pesado foi balanceado pelo já famoso recorde de filmes inscritos nesta edição do festival, o que, segundo Coletto, reafirma Gramado como o maior da América Latina.

Já no Palácio dos Festivais, a paraense Dira Paes recebeu um Kikito especial por seus mais de 20 anos de carreira no cinema . A atriz subiu ao palco depois de assistir a um clipe com seus principais trabalhos. Trabalho desde a época em que fazer cinema brasileiro era uma coisa alternativa, underground, disse, emocionada. Com o prêmio nas mãos, lembrou o Dia dos Pais e, às lágrimas, o dedicou ao seu, apesar de reconhecer: o cinema também foi meu pai.

Matuto na capital

A sessão de abertura contou com o clássico cubano Memórias do Subdesenvolvimento, de 1968, dirigido por Tomás Gutiérrez Alea (Morango e Chocolate). Recentemente escolhido melhor filme ibero-americano em uma pesquisa feita na Internet, o longa retrata como a classe alta e intelectual cubana reagiu à revolução socialista em 1961, mesclando ficção com personagens reais. A história, no entanto, não seduziu a plateia, que deixou a sala às moscas e preferiu ir para o lobby conversar até o início da pré-estreia brasileira.

Divulgação

Diretor Sérgio Silva (direita) orienta cena com Marcos Palmeira e Vivianne Pasmanter

Ao lado do elenco e da equipe numerosa ¿ boa parte local ¿, Sérgio Silva apresentou Quase um Tango... como um filme sobre a simplicidade da vida, do cotidiano. De fato, ele tenta fazer o espectador compreender como o personagem Batavo (Palmeira, que não estava presente) se sente satisfeito como um agricultor do interior gaúcho, cuja rotina se resume a trabalhar no campo, tomar seu chimarrão no fim da tarde e conversar com o cavalo. Ele se casa com uma bela moça da região (Vivianne Pasmanter) e aí tem o início o conflito: entediada, ela foge com outro em busca da vida agitada da capital.

Se a singeleza da história já se mostrava precária, as coisas pioram bastante quando Batavo, perturbado, resolve deixar tudo para trás (leia-se colocar fogo na casa) e também seguir rumo a Porto Alegre. Lá, o matuto arranja emprego e tenta reconstruir sua vida ao lado de outra mulher, também interpretada por Pasmanter ¿ que, aliás, encarna todos os interesses amorosos do protagonista, com todo o talento que uma peruca ou aparelho nos dentes podem emprestar.

Professor de dramaturgia, Silva procura construir uma narrativa linear, de ritmo ponderado, e busca espalhar pela história simbolismos e referências de sua obra, como o filme A Noite Americana, de François Truffaut, e Os Buddenbrook, romance de estreia de Thomas Mann. Mas a intenção acaba por diluir ainda mais um roteiro ralo, que não deixa claras as motivações dos personagens, e, consequentemente, passa ao espectador a tarefa de preencher lacunas dramáticas que não deveriam estar ali.

Os diálogos engessados e o sotaque capenga ¿ Palmeira soa como um catarinense acrescentando tchê no início e final das frases ¿ deixam o primeiro longa-metragem contemporâneo de Silva (diretor de Anahy de las Misiones e Noite de São João, tramas de época) ainda mais frágil. Uma estreia fraca para a competição de filmes brasileiros, que continua nesta segunda-feira (10) com Canção de Baal, de Helena Ignez. O documentário La Próxima Estación, de Fernando Solanas, também hoje, abre a disputa das produções latinas.

Leia as últimas notícias do Festival de Gramado

    Leia tudo sobre: cinema brasileirofestival de gramado

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG