Filme de Giuseppe Tornatore é recebido sem entusiasmo em Veneza

VENEZA ¿ Giuseppe Tornatore ficou famoso no mundo todo graças ao derramado, mas emocionante, ¿Cinema Paradiso¿, pelo qual ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro em 1990. Quase vinte anos depois, ele abriu a 66ª edição do Festival de Veneza, em sessão para imprensa na manhã desta quarta-feira (02), com um painel confuso sobre uma vila siciliana, ¿Baaría¿. O título é o nome fenício da cidade, Baghería. Apesar de ser um filme da casa, os aplausos vieram de muito poucos jornalistas e sem nenhum entusiasmo.

Mariane Morisawa, enviada especial a Veneza |

Reuters

A atriz Margareth Madé, o diretor Giuseppe Tornatore e Francesco Scianna em Veneza

É uma grande produção, de 25 milhões de euros, que levou 9 meses para ser preparada, 12 meses para ter os cenários construídos e 25 semanas para rodar, com 122 locações, 210 personagens e 2.800 figurinos. Tudo isso aparece na tela como uma grande produção. Mas, na verdade, no início chega a incomodar a quantidade de figurantes fazendo coisas no fundo do quadro. O panorama que o cineasta quer fazer é tão grande que se torna difícil segui-lo. São personagens que entram e saem de cena abruptamente, sem que o espectador possa entender quem é quem. Atores famosos italianos, como Monica Bellucci, fazem pequenas pontas. O filme é estranhamente barulhento, e a música de Ennio Morricone, bela como sempre, fica perdida no meio de tantas risadas e vacas mugindo.

Divulgação

Scianna e Madé em "Baaría"

A trama, depois desse início jogral, centra-se mais na história de uma única família, Torrenuova, começando por Cicco, passando por seu filho Peppino e terminando com seu neto Pietro. Peppino é acompanhado da infância à velhice (ele é vivido na maior parte pelo ator nascido em Baghería Francesco Scianna), com seu amor por Mannina (a bela e insossa modelo Margareth Madé) e seu envolvimento com o Partido Comunista. É quando foca mais nesse núcleo que o longa-metragem ganha alguma força. Mas ainda falha na condução emocional da trama e dos personagens, fazendo um misto de drama e comédia que pouco move a plateia.

Ele vai melhor ao traçar um painel da política italiana e, de certa forma, fazer um breve comentário sobre a situação do país atualmente ¿ nem todo o progresso é bom, diz o filme. Foi o que reafirmou o diretor na coletiva de imprensa que se seguiu à exibição: Nasci numa família em que se aprendia a respeitar as pessoas e seus sonhos e comecei a entender quão importante era ter um papel social. É uma coisa que se perdeu nos últimos 60 anos. Algumas coisas melhoraram, outras não. Esta foi uma que não melhorou. Deveríamos ensinar às nossas crianças que a liberdade é boa e importante, mas que precisamos respeitar a liberdade dos outros.

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