Filme de estreia do estilista Tom Ford no cinema vira favorito ao Leão de Ouro

VENEZA ¿ Tom Ford estreia no cinema em grande estilo: seu ¿A Single Man¿, último filme a ser apresentado na competição do 66º Festival de Veneza, na manhã desta sexta-feira (11), virou favorito ao Leão de Ouro. Como no ano passado, em que ¿O Lutador¿, exibido no último dia, saiu-se vencedor, o longa-metragem do consagrado estilista foi aclamado tanto na sessão quanto na coletiva de imprensa que se seguiu à sessão e chega com grandes chances de levar o prêmio principal.

Mariane Morisawa, enviada especial a Veneza |

Divulgação

Colin Firth protagoniza estreia do estilista Tom Ford no cinema em "A Single Man"

Baseado no livro de Christopher Isherwood, adaptado pelo próprio Ford, A Single Man é uma grande história de amor que por acaso acontece entre dois homens. O professor de inglês George (Colin Firth) perde seu companheiro de 16 anos e, sem conseguir levar adiante sua vida cada vez mais insuportável, resolve se matar. Enquanto se organiza para seu dia final, pequenos momentos mostrando que a vida vale, sim, a pena, vão aparecendo. Um aluno o persegue porque gosta de conversar com ele. Sua melhor amiga, a solar Charly (a sempre ótima Julianne Moore), o convida para um jantar. Nesses momentos, a vida de tons cinzentos do protagonista enche-se de cor, num trabalho interessante do fotógrafo espanhol Eduard Grau.

Ford filma com delicadeza e paixão e surpreende nesse primeiro longa. Há alguns momentos que parecem saídos de campanhas de moda, mas não chega a ser um incômodo. Principalmente, impressiona a atuação de Colin Firth, que tem desperdiçado seu talento em muitos filmes sem importância. Ele seria um forte candidato ao prêmio de melhor ator, mas é bom lembrar que normalmente a produção que leva o troféu principal não pode ser premiada em outras categorias.

Getty Images
Tom Ford, a atriz Julianne Moore e Colin Firth na coletiva de imprensa em Veneza

Na coletiva de imprensa, Tom Ford declarou que fazer cinema era um sonho seu havia muito tempo. A moda é muito efêmera. Os filmes são permanentes, mais até do que as pirâmides. Um filme é o projeto de design mais completo, porque você precisa criar um mundo, os personagens, quem morre e quem vive. E esta é a coisa mais pessoal que já fiz e a mais artística, disse o diretor. Sobre estar na competição no festival, ele afirmou: É uma grande honra estar em Veneza. Tenho uma longa história na Itália, minha carreira como estilista começou na Itália. É como estar em casa.

Colin Firth contou que as filmagens foram rápidas ¿ apenas cinco semanas ¿ e muito difíceis, porque boa parte acontecia à noite e por muitas horas. Mas teve um dia que pensei: Ninguém mais está fazendo isso. Só eu. E a maioria dos atores nem consegue nenhum trabalho, que dirá um papel como este. Foi um privilégio fazer um filme que obviamente era tão pessoal para Tom quanto este. Depois de uma pergunta para que comentasse a situação dos homossexuais na Itália, o ator disse que não conhecia bem o problema no país, mas defendeu os direitos dos homossexuais. A Califórnia acabou de rejeitar a união civil. Então é uma batalha mundial, afirmou.

Ford contou que sua intenção não era fazer uma história gay. Para mim é uma história de amor. Fiquei impressionado com o livro porque ele não é sobre ser gay, mas com personagens que por acaso são gays. Claro que acho nojento que não se aprove a união civil ou algo parecido com casamento, disse o diretor, que tem um companheiro há 23 anos. Recentemente, ele ficou no hospital e eu precisava carregar papeis o dia todo, porque precisava provar minha relação para poder tomar decisões, caso fosse preciso.

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