Festival Varilux exibe filmes franceses no Brasil

Evento, que começa hoje, exibe dez longas-metragens em nove capitais

iG São Paulo |

Divulgação
A atriz Julie Sokolowski em cena do longa-metragem Hadewijch , de Bruno Dumont
Paris, em janeiro. Apesar do inverno, o ambiente é agradável nas salas que acolhem as entrevistas do Rendez-Vous du Cinéma Français. O encontro promovido pela Unifrance é preparatório para o Festival Varilux que começa hoje em São Paulo, amanhã no Rio e prossegue até dia 10 em mais sete capitais. No total são nove cidades (Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Recife e Salvador, e as demais) que vão exibir os dez títulos inéditos que compõem a programação. O documentário Oceanos , de Jacques Perrin e Jacques Cluzaud, abre o festival.

Embora os dez filmes que integram o festival sejam inéditos nos cinemas, um deles - O Dia da Saia , de Jean-Paul Lilienfeld, com Isabelle Adjani - já estreou na TV paga (no Eurochannel). A programação inclui Hadewijch , de Bruno Dumont; O Profeta , de Jacques Audiard, premiado em Cannes, em 2009; O Pequeno Nicolau , de Laurent Tirard, sobre o personagem de René Goscinny e Sempé; Coco Chanel e Igor Stravinsky , de Jan Kounen; Um Outro Caminho , de Philippe Godeau; Oito Vezes de Pé , de Xabi Molia; e Faça-me Feliz , de Emmanuel Mouret.

O melhor - mais rigoroso - desses filmes talvez seja Hadewijch , que passa amanhã, às 14 horas, na Reserva Cultural. O próprio cineasta deveria integrar a delegação francesa que hoje dá uma entrevista na cidade, mas Dumont, à última hora, cancelou sua participação. Para substituí-lo, virá a atriz Julie Sokolowski. Acredite. Ela será uma surpresa. Julie não é atriz profissional. Ela vem da academia, da universidade, e possui um discurso erudito - puro racionalismo francês -, raro de se encontrar numa intérprete.

Bruno Dumont 'seria' o herdeiro de Robert Bresson no cinema francês atual. O verbo colocado no passado imperfeito já indica que não é assim. Dumont teria em comum com o autor de Pickpocket e Um Condenado à Morte Escapou a obsessão pelos temas da graça e da permanência do mal no mundo. Ele contesta. Bresson não é, nunca foi, uma referência. Dumont faz cinema, mas não acompanha o trabalho de seus colegas diretores, na França e no mundo. O que os outros fazem, as novas conquistas tecnológicas, não o interessam. Ele persegue - prossegue - o seu caminho. Hadewijch é representativo do método do autor. Dumont não escreve propriamente um roteiro. Possuído pelo desejo de realizar um filme, ele o escreve de forma literária, como se fosse um livro.

Clique aqui para ver a programação do Festival Varilux de Cinema Francês

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