Festival Mix Brasil amplia programação e terá peças teatrais

Evento começa nesta quinta-feira e terá panorama do cinema italiano

AE |

Se 2010 marcou sua maioridade, este é o ano em que o Festival Mix Brasil da Diversidade Sexual passa a dar espaço à cultura e não mais só ao cinema, resume André Fisher, um dos diretores do evento, que chega nesta quinta-feira (10) à sua 19.ª edição.

Divulgação
"Tomboy" abre a programação do Festival Mix Brasil
O braço teatral está de volta. Na quarta exibição do "Dramática em Cena" há a chance de rever espetáculos que dialogam com o público LGBT. Alguns deles passaram rapidamente pelos palcos paulistanos, como "Dentro da Noite", dirigido pelo cantor Ney Matogrosso. Outros foram reverenciados por crítica e público, como "As Três Velhas", que reuniu o trio Maria Alice Vergueiro, Pascoal da Conceição e Luciano Chirolli. Há até uma opção infantil, "O Menino Teresa", de Marcelo Romagnoli, que nasceu de um quadro do extinto programa da TV Cultura Rá-Tim-Bum.

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As peças estarão no Centro Cultural São Paulo, que será tomado pelo festival nos próximos dias. Isso inclui também a sala de projeções e o foyer, que recebe uma instalação com figurinos e pertences da performer Claudia Wonder. Representante da noite e da cultura underground paulistana, a transexual, morta em 2010, virou tema do documentário "Meu Amigo Claudia", atração do evento há dois anos, e ainda inédito no circuito comercial, que ganha reexibição no festival.

Não é por acaso que Claudia é mais uma vez lembrada. A Diversidade É Para Todos, tema do evento este ano, celebra especialmente a transexualidade, que assume papel central no Mix 2011. Seja em documentários ou ficções, esses iconoclastas da masculinidade e da feminilidade ganharam retratos contundentes, sensíveis e, por que não, históricos nesta edição.

Se "Garotos Não Choram" (1999) e "Transamerica" (2005) estão na lista das produções mais recomendadas para entender a trajetória e conflitos dos transgêneros, "Romeus", longa de estreia de Sabine Bernardi, merece estar no mesmo patamar. Vale destacar também "Tomboy", escolhido para a abertura do festival.

Da 35.ª Mostra de São Paulo vêm os celebrados "Cuba Libre", de Evaldo Mocarzel, e "Olhe pra Mim de Novo", de Kiko Goiffman. Vem da Suécia mais uma vez uma comédia em torno de um assunto delicado. Em "Patrick, Idade 1,5", de 2008, a adoção de filhos por casais gays era o tema a ser discutido. Agora, política é o foco em "O Próximo Mandato". Um candidato a primeiro-ministro do país, casado há 20 anos, se vê interessado em outro candidato, este abertamente homossexual. O assunto também é o mote de "Diferente de Quem?", de Umberto Carteni.

Em comemoração ao ano da Itália no Brasil, esta edição do festival oferece um breve panorama do atual produção de filmes sobre o tema no país. Um dos destaques é "Anjos no Corredor da Morte", coprodução com o Irã que trata da pena de morte imposta pelo país do Oriente Médio aos homossexuais e o rastro de dor e inconformismo que a sentença deixa em parte da população.  

A programação completa pode ser conferida no site do festival .

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