Festival de Brasília aposta no cinema experimental jovem

Na 43ª edição, o tradicional evento faz uma opção radical pelo novo

Agência Estado |

Divulgação
Cena do filme "A Alegria"
Em sua 43ª edição, o Festival de Brasília, mais antigo e tradicional evento de cinema do país, faz uma opção radical pelo novo e pelo experimental. De fato, olhando para a lista dos concorrentes, dificilmente você poderá identificar um nome reconhecível. Com as possíveis exceções de João Jardim e Eryk Rocha, que já andaram pelo circuito dos festivais mais conhecidos e tiveram seus filmes lançados em circuito comercial, os outros parecem estrelas novas na galáxia do cinema.

"Foi uma opção deliberada", garante Fernando Adolfo, diretor do festival. Um recorte que começou a nascer com a escolha da comissão de seleção, composta por gente jovem e adepta de determinado tipo de cinema: os cineastas Bruno Saffadi (RJ) e Jefferson De (SP), o crítico Marcelo Miranda (MG) e a produtora Andrea Gloria (DF), além do próprio Fernando Adolfo, que sempre integra os grupos.

Fernando conta que 38 longas se apresentaram, dos quais apenas 21 satisfaziam o requisito de "ineditismo preferencial", ponto de honra do Festival de Brasília. "Fomos vendo e discutindo os filmes e verificamos que a seleção se encaminhava para esse recorte, com ênfase no cinema experimental jovem; então fomos nessa direção", diz.

Havia alternativas ou a falta de opções é que ditou o formato? Fernando garante que era isso mesmo que eles queriam, mas admite que o critério de ineditismo pode forçar a escolha em certas direções. Em anos anteriores, por exemplo, Brasília quase se transformou em mostra de documentários, pois rareavam os filmes de ficção inéditos. Mas é claro que o perfil da comissão de seleção escolhida também determina o desenho de festival que se verá na tela do Cine Brasília.

O festival tem início hoje à noite no Teatro Nacional e conta na abertura com um hors concours perfeito para o perfil adotado para 2010 – "Liliam M: Relatório Confidencial" (1974), do veterano Carlos Reichenbach, ícone do cinema de empenho produzido a baixo custo e ídolo dos realizadores iniciantes. Na forma, Brasília conserva seu esquema de programação inalterado há anos – competição de apenas seis longas, "de preferência" inéditos e 12 curtas-metragens. Além deles, há o concurso de cinema digital, que substitui a bitola em extinção de 16 mm.

Além de João Jardim, com "Amor?"', e Eryk Rocha, com "Transeunte", concorrem Felipe Bragança e Marina Meliande com "A Alegria", Tiago Mata Machado com "Os Residentes", Sérgio Borges com "O Céu sobre os Ombros" e Marcelo Lordello com "Vigias".

Os concorrentes

Longas

"A Alegria", de Felipe Bragança e Marina Meliande (RJ)

"Transeunte", de Eryk Rocha (RJ)

"Os Residentes", de Tiago Mata Machado (MG)

"O Céu sobre os Ombros", de Sérgio Borges (MG)

"Amor?", de João Jardim (RJ)

"Vigias", de Marcelo Lordello (PE)


Curtas

"Cachoeira", de Sergio José de Andrade (AM)

"Fábula das Três Avós", de Daniel Turini (SP)

"Angeli 24 Horas", de Beth Formaggini

"Contagem", de Gabriel Martins e Maurilio Martins (MG)

"Acercadacana", de Felipe Peres Calheiros (PE)

"Braxília", de Danyella Proença (DF)

"Matinta", de Fernando Segtowick (PA)

"Falta de Ar", de Érico Monnerat (DF)

"A Mula Teimosa e o Controle Remoto", de Hélio Villela Nunes (SP)

"Café Aurora", de Pablo Polo (PE)

"O Céu no Andar de Baixo", de Leonardo Cata Preta (MG)

"Custo Zero", de Leonardo Pirovano (RJ)

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