Festa Literária Internacional de Paraty termina neste domingo

A VII Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) termina neste domingo depois de quatro dias de debates que reuniram alguns dos mais influentes intelectuais brasileiros e estrangeiros da atualidade.

AFP |

De quinta-feira a domingo, 34 autores, 19 brasileiros e 15 estrangeiros, passaram pela bela cidade colonial localizada 250 km ao sul do Rio de Janeiro (sudeste).

Nesta sétima edição, a festa literária registrou alguns momentos memoráveis, como as participações do lendário jornalista norte-americano Gay Talese, um dos inventores do "New Journalism" (Novo Jornalismo), e do escritor franco-afegão Atiq Rahimi, vencedor em 2008 do prestigioso prêmio Goncourt de Literatura.

Neste domingo, a escritora Catherine Millet, autora do sucesso de vendas "La vie sexuel de Catherine M." (A vida sexual de Catherine M., 2001), explicou como tenta expressar seus sentimentos por meio da escrita literária.

"O que tento fazer quando escrevo é encontrar as palavras mais exatas para expressar meus sentimentos. Isso para mim é fazer literatura. É como se eu fosse uma exploradora de palavras neste pequeno território que sou eu mesma", disse.

Antes, o historiador britânico Simon Schama, autor de "The American Future" (O futuro da América, 2009), deu um toque mais político à festa ao abordar o significado histórico da eleição de Barack Obama para a Presidência dos Estados Unidos e os novos desafios que tem pela frente, como melhorar a relação de seu país com o mundo islâmico.

"Obama mostrou um enorme conhecimento sobre a religião islâmica, sem se acovardar. Ele age assim porque foi criado no Havaí, e viveu na Indonésia e no Quênia. É um cidadão do mundo", afirmou Schama em sua mesa literária.

Segundo os organizadores do evento, que em 2009 foi incluído nas celebrações do Ano da França no Brasil, por volta de 25.000 pessoas visitaram a Flip, que, apesar do seu nome, não se limitou apenas a uma programação dedicada à literatura.

¨Quando dizemos literatura, nos referimos à ferramenta da palavra escrita, que serve para se fazer cinema ou música", explicou o diretor geral da Flip, Mauro Munhoz, em uma entrevista coletiva à imprensa neste domingo.

De acordo com Munhoz, a Flip pode estar sendo vítima de seu próprio sucesso, o que levará a modificações na estrutura do evento nas próximas edições, já que "a grande concentração de público pode comprometer o ambiente mais intimista da festa, que proporciona um contato maior entre as pessoas e os autores".

Durante quatro dias, os mais variados temas foram debatidos na pequena cidade colonial. E pela reação das pessoas presentes em Paraty, os organizadores do evento têm razão em se preocupar, já que o público promete ser ainda maior.

dm

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