Fernando Meirelles conclui "360" às pressas para sessão em Toronto

Diretor brasileiro vai fazer estreia mundial de seu novo filme nesta sexta-feira, no Canadá

Agência Estado |

Setembro é um mês agitado para profissionais e fãs do cinema internacional. Começa com o saldo do Festival de Locarno (na Suíça, um dos mais importantes do circuito experimental), segue com o Festival de Veneza trazendo o melhor da safra do segundo semestre, equilibrando-se entre blockbusters e independentes, e continua com Toronto (que começa hoje e termina no próximo dia 18) reunindo distribuidores e produtores do mundo todo, ávidos por encontrar e comprar filmes que serão destaque no fim do ano e início do próximo. A cada edição, o festival canadense, que não é competitivo, mas é disputadíssimo quando o assunto é descobrir quem são as maiores promessas do próximo Oscar, conquista mais espaço no "circuito classe A" de festivais.

Divulgação
Jude Law e Rachel Weisz em "360", dirigido por Fernando Meirelles
É lá, por exemplo, que Brad Pitt escolheu mostrar seu novo filme, "Moneyball", dirigido por Bennett Miller, e que George Clooney vai sair diretor de Veneza (onde exibiu "Tudo pelo Poder" ) para o Canadá, onde estreia mundialmente "The Descendants" (aguardada produção de Alexander Payne), e que Francis Ford Coppola exibe seu experimental "Twixt" . E foi lá, também, que Fernando Meirelles escolheu para exibir pela primeira vez seu novo filme, "360".

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"Outra coisa simpática deste festival, fora a cidade e a audiência atenta e calorosa, é o fato de não ser competitivo. Em Cannes, no segundo dia de festival, só se fala em quem está na frente de quem, as revistas fazem gráficos de chances de vencer, é como se você estivesse num campeonato de basquete ou coisa similar. Apesar de estar tão próximo dos EUA, Toronto não é sobre 'winners' e 'loosers', mas sobre filmes", disse o diretor brasileiro, antes de embarcar pela quarta vez para o festival.

Mesmo sendo "sobre filmes", mostrar seus novos produtos em uma vitrine tão disputada pode ser bom, mas não necessariamente fácil. "A experiência vai ser dura. Como sempre. Muita imprensa, jantar, Q&A [debates] e, infelizmente, nenhum filme além do meu. Não vai dar tempo de assistir nada", continuou Meirelles.

O diretor brasileiro, aliás, assim como a grande maioria, "acabou de acabar" (ou quase) seu novo longa. "Assisti a '360' acabado pela primeira vez ontem à tarde. Tem cinco defeitos de imagem e problemas de mixagem, mas agora não há mais tempo de mexer. Vamos mostrar assim. Explico na abertura que não é a cópia final e depois arrumamos para Londres [em outubro, em que '360' é atração da noite de abertura do maior festival do Reino Unido ]. O filme foi finalizado em tempo recorde. Mesmo sabendo do risco de algo poder estar fora de lugar, não queria deixar de estar em Toronto para vender o filme para os EUA e, quem sabe, lançá-lo ainda este ano. Esse é meu objetivo."

Entre os outros brasileiros que também terão uma maratona pela frente e tentar um lugar ao sol no disputado mercado de exibição estrangeiro estão "Girimunho" (de Helvécio Marins e Clarissa Campolina, que também vão "pular" de Veneza, onde integraram a seção Horizontes, para Toronto), o aguardado "Heleno", de José Henrique Fonseca, sobre o jogador de futebol Heleno de Freitas, e que faz première mundial no Canadá, "Histórias Que Só Existem Quando Lembradas" , de Julia Murat, que estreia na direção de longas de ficção; "O Abismo Prateado" , de Karim Aïnouz (que integrou a Semana da Crítica em Cannes).

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