Feito para a TV, "A Performance" concorre no Festival de Biarritz

Vencedor de edital de telefilmes da TV Cultura, projeto brasileiro tem roteiro e direção de Luís Dantas e Mauro Baptista Vedia

Agência Estado |

Divulgação
Cena do telefilme brasileiro "A Performance"
Pela primeira vez um filme brasileiro, "A Performance", integra a mostra competitiva oficial do Festival Internacional de Programmes Audiovisuels de Biarritz, que começa hoje na França. Um dos mais importantes da área no mundo, o FIPA é voltado para produções para a TV e só perde em projeção internacional para o também francês Mercado de Filmes de Cannes. Mais que um motivo de comemoração para a equipe do filme, a participação é sinal de um amadurecimento na produção nacional.

Com roteiro e direção de Luís Dantas e Mauro Baptista Vedia, "A Performance" foi um dos vencedores do Edital de Telefilmes da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo e da TV Cultura. Este detalhe é de fato grande diferencial do projeto, que nasceu há cerca de quatro anos quando Mauro Basptista Vedia teve a ideia de escrever, em parceria com Jorge Tarquini, uma história que mostrasse uma São Paulo contemporânea, em que o mercado financeiro e o de artes plásticas estivessem o tempo todo se comunicando em uma cidade vibrante e caleidoscópica. "E esta é a São Paulo real. Sou uruguaio, mas escolhi o Brasil para viver há 20 anos. Fui artista plástico e conheço muito bem este mundo. E era uma história que tivesse humor, que fosse inteligente e que mostrasse este universo que queríamos contar", explica Vedia, que também é diretor teatral e dirigiu "Ligações Perigosas" .

O filme conta a história do intelectual Marcelo que, desiludido, não consegue publicar seu livro, e do produtor cultural falido Paulo. Juntos, resolvem aplicar um golpe no mercado de artes plásticas, inventando um jovem e genial artista, Thi Weber, brasileiro famoso no exterior. A dupla consegue emplacar esse falso artista, atraindo a atenção da mídia e de um grande colecionador de artes. O que era para ser uma brincadeira toma outra proporção e coloca em crise a relação dos dois: o produtor quer fazer dinheiro, o intelectual entra em crise de consciência.

Siga o iG Cultura no Twitter

Não foi por acaso que o argumento venceu a primeira etapa do edital. E não foi por acaso que a história foi ficando cada vez melhor até ganhar uma janela em Biarritz. "O grande diferencial é que pudemos trabalhar o roteiro com tempo, desenvolver bem a história, amadurecê-la para, então, um ano depois, filmá-la", explica Luís Dantas, que tem experiência de produção nos Estados Unidos, onde se formou em Mestre em Fine Arts em direção e roteiro cinematográfico pela Columbia University, e é professor do Curso Superior do Audiovisual da USP.

"Não dizemos sempre que o roteiro é o ponto fraco da produção nacional? Neste caso, trabalhamos muito bem o roteiro e a pré-produção. Quando fomos finalmente para o set, em agosto de 2011, estava tudo planejado para que pudéssemos tirar o melhor de cada locação e cada diária. O resultado foi um processo rápido, econômico, que conseguiu ser realizado com a verba do edital."

A verba do edital, aliás, é de R$ 600 mil, cobre a realização do filme e prevê a exibição na TV Cultura em março. "A Performance" faz, portanto, sua estreia mundial na próxima quinta em Biarritz. Mais que janela para exibição, o festival funciona como uma plataforma de visibilidade para que outras emissoras de TV do mundo prestem atenção não só no caso do longa de Dantas e Vedia, mas também na atual diversidade da produção brasileira.

"Foi-se o tempo em que havia só uma forma de realizar filmes. Hoje há as leis de incentivo, os fundos e os editais nacionais, estaduais, municipais. E há o projeto de telefilmes. Em vez de se esperar quatro, cinco anos para agregar a verba para se rodar um longa, mesmo que de baixo orçamento, caminhos alternativos mostram que é possível se contar uma boa história de formas diferentes", comenta Vedia.

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG