Falta brilho ao Lanterna Verde no cinema

Apesar de fraca, adaptação honra a mitologia do herói dos quadrinhos, que vive à sombra de Batman e Super-Homem

Guss de Lucca, iG São Paulo |

A maior parte do público conhece o Lanterna Verde como um integrante da Liga da Justiça, equipe de super-heróis encabeçada por Batman, Super-Homem e Mulher Maravilha, cujo desenho animado "Superamigos" fez sucesso no Brasil nas décadas de 1980 e 1990.

Divulgação
O ator Ryan Reynolds em "Lanterna Verde": grandiosidade da trama e pouco carisma prejudicam adaptação
Impulsionados por seriados e séries cinematográficas, como o "Batman" protagonizado por Adam West e os filmes do Super-Homem dirigidos por Richard Donner, os personagens principais da super equipe acabaram transformando os demais, como Flash, Aquaman e os Super Gêmeos ("Forma de um balde d’água"), em meros coadjuvantes.

Apesar de ser um herói importante nas publicações da DC Comics, fora dos quadrinhos o Lanterna Verde sempre pertenceu a esse segundo escalão da editora. A ideia de apresentá-lo ao grande público acompanha o sucesso da Marvel Comics, principal rival da DC, em emplacar filmes com nomes não tão famosos de seu catálogo, caso do "Homem de Ferro", que em 2008 arrecadou US$ 585 milhões (R$ 925 mi) de bilheteria.

Veja a história visual do Lanterna Verde

O grande problema no caso do Lanterna Verde é sua matéria prima. A história do piloto de aviões militares Hal Jordan, que assume uma postura irresponsável para lidar com o fracasso do pai, não tem o apelo de um Bruce Wayne, que resolveu vingar o assassinato dos pais varrendo as ruas de Gotham City, ou de um Tony Stark, que desperta da vida de empresário armamentista após ser sequestrado por terroristas.

Além desse problema na raiz do personagem, a mitologia do herói não ajuda a atrair a atenção do grande público. Após ser escolhido como substituto de Abin Sur, até então o Lanterna Verde de maior prestígio, Jordan acaba descobrindo a existência de uma Tropa dos Lanternas Verdes, organização formada por 3.600 membros, cada um responsável por patrulhar um setor da galáxia.

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Criada por uma raça de alienígenas imortais chamados Guardiões do Universo, a Tropa zela pelo bem-estar de todos e utiliza a energia verde para forjar seus anéis energéticos, armas que podem criar tudo o que um Lanterna Verde conseguir imaginar. O principal inimigo de cada um de seus integrantes é o medo de falhar - sendo o medo representado pela energia amarela.

A quantidade inesgotável de extraterrestres e um vilão que tem o poder de destruir planetas inteiros estão tão distantes dos expectadores que frustram qualquer tentativa do público em identificar-se com tamanha responsabilidade.

A despeito de todos esses problemas (e da escolha do fraco Ryan Reynolds para o papel principal), como adaptação de uma história em quadrinhos "Lanterna Verde" não é tão ruim. Com efeitos especiais competentes e algumas piadas interessantes, ele honra o que há de melhor no universo do herói - o que, como já foi dito, não é muita coisa.

Orçado em US$ 200 milhões (R$ 316 mi), "Lanterna Verde" não ultrapassou os US$ 176 milhões (R$ 278 mi) após estrear na América do Norte e em países da Europa e Ásia, resultado que enfraquece as chances de uma sequência.

Se a esperança da DC Comics era transformar o Lanterna Verde no que o Homem de Ferro representou para a rival Marvel, ela falhou. Resta à editora torcer pelo seu novo Super-Homem , afinal, após o sucesso de "O Cavaleiro das Trevas", um dos poucos filmes a bater a marca do US$ 1 bilhão , a bilheteria de seu novo "Batman" , previsto para 2012, já está praticamente garantida.

Veja a história visual do Lanterna Verde

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