Eu e Meu Guarda Chuva retoma fantasia nacional

Longa-metragem do diretor Toni Vanzolini dá fôlego ao cinema infantil brasileiro

Marco Tomazzoni |

Divulgação
O garoto Lucas Cotrim, protagonista de Eu e Meu Guarda-Chuva
Depois de anos centrado em Xuxa, Trapalhões e Renato Aragão, o cinema infantil nacional começa a ganhar força e qualidade. A animação cresce com vontade e, apesar de um equívoco ou outro (como A Casa Verde , de Paulo Nascimento), o clima geral é otimista. Eu e Meu Guarda-Chuva , com direção de Toni Vanzolini, chega para criar euforia. Exibido em julho no Festival de Paulínia e com estreia nacional nesta sexta-feira (08), início do feriado do Dia das Crianças, é um dos melhores filmes do gênero em muito tempo.

A história, é bom frisar, não é nada brasileira. Do tipo de letra usada no cartaz ao vilão com nome europeu, tudo remete à tradição do cinema de aventura hollywoodiano, e nem é difícil pensar em Harry Potter. Baseado no livro homônimo escrito por Hugo Possolo com o titã Branco Mello – um dos responsáveis pela trilha sonora –, o roteiro segue Eugênio (Lucas Cotrim), um garoto de 11 anos ainda chateado pela morte do avô. Como herança, fica um guarda-chuva usado nas brincadeiras dos dois.

Ao lado de Frida (Paola Oliveira), vizinha por quem é apaixonado, e do amigo Cebola (Leandro Hassum), nada brilhante e com constantes dores de barriga, Eugênio decide, na véspera da volta às aulas, invadir o novo colégio dos três, em um “primeiro contato com o inimigo”. É claro que, para ter graça, eles resolvem fazer isso à noite, até para conferir se a lenda sobre a escola é verdadeira.

E era: o fantasma do barão Von Staffen (Daniel Dantas, excelente), fundador da instituição, sai de um quadro pendurado nos corredores para sequestrar alunos relaxados e submetê-los a aulas eternas. Frida é capturada por ele e cabe a Eugênio e Cebola resgatá-la. Daí começa uma aventura com muita fantasia, e é esse o trunfo do projeto. De banheiros que mudam de lugar a um surreal departamento de achados e perdidos (comandado por Arnaldo Antunes, em participação especial), a inventividade da história surpreende e não encontra paralelo no cinema brasileiro contemporâneo.

Diretor de arte competente, Vanzolini não descuida do setor em sua estreia atrás das câmeras. A fotografia e a escolha de locações também surpreendem – da Estação da Luz, em São Paulo, a uma breve (e impactante) passagem por Praga, na República Tcheca, o enredo é fluente, amparado por efeitos especiais simples e música de padrão internacional.

É verdade que o roteiro tem seus cacoetes e poderia ser situado em qualquer lugar do mundo, já que são crianças sem nenhum traço exatamente brasileiro. Isso não inviabiliza, porém, o mérito do projeto, bom agouro para o futuro do gênero.

Assista ao trailer de "Eu e Meu Guarda-Chuva":

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