"Enterrado Vivo" triunfa como thriller

Com poucos elementos, filme com Ryan Reynolds mantém suspense crescente

Marco Tomazzoni, iG São Paulo |

Divulgação
Ryan Reynolds debaixo da terra: pressão e agonia num caixão de madeira
Um homem preso num caixão. Com ele, estão um isqueiro, um celular em árabe, um lápis e um frasco de bebida. Só. Em cima disso, e só isso, se constrói o surpreendente "Enterrado Vivo", do diretor espanhol Rodrigo Cortés ( leia entrevista exclusiva ), que estreia nesta sexta-feira (10).

O filme inicia mergulhando o espectador no mesmo universo do protagonista (o galã Ryan Reynolds, futuro Lanterna Verde): tela escura, respiração pesada retumbando nas caixas de som. Por alguns instantes, a sala de cinema se converte em um ambiente abafado, claustrofóbico, e quando a situação começa a ficar realmente perturbadora, o isqueiro traz luz. Ufa.

A sensação se dissipa, mas permanece presente ao longo de todo o filme, desenvolvido praticamente em tempo real. A iluminação é responsável por boa parte da agonia de se assistir a "Enterrado Vivo" – a chama do isqueiro e a tela do celular são quase toda a luz que vai permitir enxergar Reynolds e o interior do caixão. Mais do que um desafio técnico, essencial para aproximar quem assiste da realidade exposta na tela.

É bom ir ao cinema sem saber muito e descobrir a trama aos poucos. O inevitável, no entanto, é que Paul Conroy está enterrado em algum lugar do Iraque. O telefone é sua ligação com o mundo exterior e serve, junto com a trilha sonora, para aumentar o suspense e trazer novidades para a história. É o que faz o roteiro andar – conversas com a família, equipes de resgate e os sequestradores adicionam pressão, raiva e frustração ao desespero de Conroy. O espectador embarca junto.

Se no decorrer o enredo descamba para uma crítica ao sistema – sobra para o governo, mundo corporativo e a política internacional –, "Enterrado Vivo" não deixa de ser um triunfo técnico e de dramaturgia. Não é uma experiência inédita situar um longa-metragem em um único cenário, com um único ator, mas manter o interesse e a tensão estáveis, em níveis alarmantes e num crescendo coeso, isso sim é uma vitória.

Assista ao trailer de "Enterrado Vivo":

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