Life During Wartime , Solondz trata com maior carinho personagens pouco normais - Cinema - iG" /

Em Life During Wartime , Solondz trata com maior carinho personagens pouco normais

VENEZA ¿ De perto, ninguém é normal, acredita o diretor Todd Solondz. Em ¿Life During Wartime¿, recebido com alguns aplausos pela imprensa na manhã desta quinta-feira (03) em Veneza, ele retoma boa parte dos personagens de ¿Felicidade¿ (1998), provavelmente seu filme mais desesperançado na humanidade. A família Jordan, cujo patriarca, Bill, era pedófilo, retorna aqui ampliada ¿ e vivida por outros atores.

Mariane Morisawa, enviada especial a Veneza |

Divulgação

Onze anos depois, "Life During Wartime" retoma personagens do polêmico "Felicidade"

Ele próprio, agora interpretado por Ciarán Hinds, acaba de sair da cadeia após dez anos e quer checar como anda sua família, apesar de saber que não há como restabelecer os laços. A mulher, Trish (Allison Janney), tenta reconstruir, ou fingir, a normalidade à custa de medicações e de um novo amor, Harvey (Michael Lerner), um homem comum, coisa rara nos filmes do diretor. O filho mais velho, Billy (Chris Marquette), está na faculdade e tem um reencontro difícil com o pai. O mais novo, Timmy (Dylan Riley Snyder), descobre a verdade ¿ a mãe havia dito que o pai estava morto ¿ e tenta compreendê-la.

As irmãs de Trish também entram em cena. Joy (Shirley Henderson) trabalha com a recuperação de condenados à prisão e é assombrada pelo fantasma do marido suicida Andy (Paul Reubens, ele próprio preso por obscenidade em 1991 e acusado de ser dono de imagens pornográficas de crianças em 2002) e pela admissão do atual, o pervertido Allen (Michael Kenneth Williams), de que ainda tem seus impulsos. A outra irmã, a roteirista Helen (Ally Sheedy), afastou-se da família porque acredita que ela não lidou bem com seu sucesso.

Esquecer e perdoar, os ecos do passado no presente e no futuro, são os temas de Life During Wartime, que se traduz literalmente como vida durante o período de guerra. É possível perdoar alguém que cometeu o crime dos crimes, a pedofilia? Essas pessoas são irrecuperáveis? Dá para perdoar e não esquecer? E para esquecer e não perdoar?

Solondz, que não lançava longa-metragem desde Palíndromos, de 2004, dirige aquela mesma comédia desconfortável, que provoca risos na plateia, mas também faz sentir culpa por estar se divertindo com aquilo. Os temas são, claro, os mesmos, sempre sérios: de pedofilia a suicídio, de terrorismo a sionismo. Mas ele está menos explícito na hora de tratar desses assuntos, principalmente sexo ¿ e, talvez, um pouco mais afeiçoado a seus personagens. Pode ser que quase ninguém seja normal em Life During Wartime, mas, no fim, todo o mundo é, pelo menos um pouco. É um avanço na normalmente cruel e manipuladora visão do diretor sobre a humanidade.

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