Em 'Quebrando o Tabu', FHC defende a descriminalização de drogas

No documentário, políticos e personalidades falam sobre as falhas no combate ao tráfico e contam experiências pessoais

Thiago Ney, iG São Paulo |

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Fernando Henrique Cardoso em "Quebrando o Tabu"
Já existiu um mundo sem drogas?

A questão é a premissa que dá o empurrão inicial ao documentário "Quebrando o Tabu", dirigido por Fernando Grostein Andrade e "conduzido" pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso - com estreia prevista nos cinemas para esta sexta-feira (3 de junho).

"Conduzido" porque é FHC quem ancora o filme tanto com depoimentos próprios como levando a câmera a lugares como Holanda, Suíça, EUA, Portugal e favelas do Rio de Janeiro.

FHC defende a descriminalização das drogas. Para ele, a guerra contra o tráfico não pode ser vencida. A legislação brasileira está ultrapassada - o viciado deveria ser tratado não como um criminoso, mas como um doente que precisa de tratamento. E, ainda, o usuário deveria encontrar meios de conseguir a droga sem ter de buscá-la com um traficante. Ele falou sobre o assunto em entrevista ao iG .

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Jimmy Carter em "Quebrando o Tabu"
Em uma época em que manifestações que pedem mudança nas leis sobre drogas são proibidas pela Justiça e recebidas com violência pela polícia , a posição de FHC não deixa de ser polêmica e corajosa. Mas por que o sociólogo não defendeu essas medidas quando era presidente do Brasil? "Porque eu não tinha as informações que tenho hoje. Porque havia uma política pesada norte-americana de combate às drogas", responde FHC no começo do documentário.

Se não conseguimos acabar com as drogas dentro de uma prisão de segurança máxima, como acabaremos com elas em uma sociedade livre? Este é outro eixo do filme, que relaciona o tráfico à questão prisional. Segundo o documentário, cadeia não é lugar para usuário de droga. A cadeia transforma esses usuários em criminosos. Ao saírem da prisão, esses usuários-criminosos estarão alijados da sociedade.

Com a ajuda de animações, de imagens de arquivo de TV, "Quebrando o Tabu" se movimenta por meio de uma edição ágil e eficiente. O roteiro é muito bem amarrado: vai atrás de depoimentos de ex-políticos como Bill Clinton e Jimmy Carter (EUA), Ruth Dreifuss (Suíça), Ernesto Zedillo (México), de personalidades como Gael García Bernal, Paulo Coelho, Drauzio Varella, e de ex-viciados e ex-presidiários.

FHC vai aos EUA e conversa com adolescentes em escolas. Vai à Holanda e visita os coffee shops de Amsterdã, onde é permitida a venda e o consumo de maconha. Vai a Portugal e ouve de autoridades que a descriminalização de drogas ocorrida ali colhe resultados mais positivos do que negativos. No Rio de Janeiro, conversa com moradores de favela e com gente de iniciativas como o AfroReggae.

"Quebrando o Tabu" nos torpedeia com dados e informações estatísticas sobre o tráfico e o consumo de drogas - dados e informações que corroboram a tese do documentário de que a descriminalização é a solução. Concorde-se ou não com essa tese, o documentário enriquece o debate.

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