"El Premio" vence Festival de Cinema Latino-Americano 2011

Longa-metragem da argentina Paula Markovitch foi um dos 110 filmes da região exibidos em São Paulo por uma semana

Agência Estado |

No Festival de Berlim , em fevereiro, o filme da diretora argentina Paula Markovitch, "O Prêmio" ("El Premio"), já havia seduzido os críticos e o júri. Ninguém se surpreendeu muito quando recebeu o Urso de Prata de realização artística, com destaque para o trabalho conjunto do fotógrafo Wojciech Staron e a diretora de arte Barbara Enriquez. No domingo à noite, a produção mexicana recebeu o prêmio da crítica no 6º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo. A cerimônia realizou-se no Memorial da América Latina e quem recebeu o prêmio foi o produtor Gustavo Montiel. Para ele, a obra é um resumo da América Latina.

Divulgação
A menina Paula Galinelli Hertzog, protagonista do longa-metragem argentino "El Premio"
"El Premio" conta a história de mãe e filha que se isolam numa pequena cidade. A garota ganha na escola o prêmio do título – a melhor redação sobre um tema patriótico. Para a mãe é um duplo tormento – a menina quer o prêmio, mas ele ameaça revelar segredos familiares e que dizem respeito justamente ao envolvimento dos pais da menina com a guerrilha que combate o regime militar da Argentina. Existem elementos autobiográficos na trama que a diretora viabilizou no México, em produção com a Polônia.

O prêmio do público foi para o brasileiro "Transeunte", de Eryk Rocha. Primeira ficção de Eryk, o filme não conta propriamente uma história, mas acompanha esse idoso (Expedito) que transita pelas ruas do centro do Rio. Um filme sobre um velho feito por um jovem de pouco mais de 30 anos pode parecer inusitado ou até surpreendente, mas o que mais encanta em "Transeunte" é a riqueza de observação. Eryk Rocha é filho de Glauber Rocha e Paula Gaetán. Para os críticos, é fácil recorrer a fórmulas do tipo que ele carrega o DNA dos pais. Como isso não existe – o DNA do cinema –, o filme é resultado do amadurecimento do cineasta.

Eryk é grande montador, com um sentido muito preciso do visual. Boa parte do filme passa-se num apartamento com vista para uma construção. Não foi fácil achar a locação, como não foi fácil achar o ator, mas a escolha de Eryk não poderia ter sido mais perfeita. Fernando Bezerra, que faz o papel, foi o melhor ator de Brasília no ano passado. É minimalista e até por esse rigor o filme não facilita a empatia com o público. Eryk não deixou por menos e declarou-se surpreso e feliz por estar recebendo seu primeiro prêmio do público.

Durante uma semana, o 6º Festival Latino-Americano apresentou 110 filmes e trouxe cerca de 100 convidados à cidade. O evento deste ano prestou homenagens a Orlando Senna e ao escritor Gabriel García Márquez, fazendo uma retrospectiva do primeiro e exibindo filmes adaptados (ou com roteiro) do segundo. A programação incluiu o único filme realizado pelo próprio Gabo – o curta "A Lagosta Azul", que ele fez na Colômbia, nos anos 1950. Outra retrospectiva prestigiou o novo cinema argentino e trouxe o diretor Pablo Trapero a São Paulo.

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